terça-feira, 1 de novembro de 2011

Somos todos gregos

No meio de uma crise gerida pelos bancos, pelas bolsas, pelas agências de rating e pela senhora Merkel, Georges Papandreou é o primeiro que tenta dar a palavra ao povo. Haja democracia. O povo que decida. Se os gregos quiserem sair da UE (o que nem sequer está previsto nos Tratados...), que saiam. Se não conseguirem pagar, que não paguem. Só mesmo os «mercados» é que aguentam mais um ano de cortes salariais, aumentos de impostos e despedimentos. O povo, esse, está impaciente por se pronunciar. E livrem-se de repetir o referendo, ouviram?

19 comentários :

  1. Ricardo,
    não é curioso que desde à adesão à CEE, à adopção do Euro, assinatura do Tratado de Lisboa nenhum Governo se tenha dignado a perguntar a opinião ao Povo Português...?
    Cumps.

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  2. "Se não conseguirem pagar, que não paguem."

    ...mais provável se torna acontecer o mesmo ao seu patrão, não é, Ricardo?

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  3. «Arame Farpado»,
    lembro-me bem de quantos nos negaram uma palavra a dizer sobre a UE. Ou me engano (ligeiramente), ou somos o único Estado da Eurolândia que nunca se pronunciou sobre a UE...

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  4. Nuno Gaspar,
    relaxe. Como estamos, não podemos continuar. Temos que evoluir para fora desta crise. E Papandreou é o único político europeu que entendeu que deve governar para os cidadãos e não para os mercados.

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  5. "deve governar para os cidadãos e não para os mercados."

    E isso é o quê, Ricardo? Rasgar compromissos e obrigações?

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  6. Se for preciso. Antes rasgar compromissos com o mercado do que com as pessoas.

    É que desse rasgão ninguém fala. Cá em Portugal, anda-se com as PPP nas palminhas das mãos, e enche-se a boca com a responsabilidade e os compromissos. Mas para cortar salários e trair os que menos podem está-se à vontade.

    Quanto a mim, mais valia deixar cair algumas PPP. O respeitinho pelas contas públicas agradecia.

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  7. Faço minhas as palavras do Francisco Burnay. Estão a rasgar o contrato social: os subsídios de férias e de natal, o acesso à saúde e à educação pública, no futuro até os transportes públicos. E isso é mais grave, para mim, do que os compromissos com a tróica, as PPP´s e as escolas privadas.

    Para quando um referendo sobre o acordo de Portugal com a tróica?

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  8. "Para quando um referendo sobre o acordo de Portugal com a tróica?"

    Para quando você quiser pôr o país a pão e água.

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  9. "Antes rasgar compromissos com o mercado do que com as pessoas."

    Sim. Os mercados e as pessoas vivem em planetas diferentes.
    (sem prejuízo de chamar à pedra João Cravinho e os seguidores dessa invenção para explicações)

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  10. Vivem em mundos diferentes, sim: o mundo das offshores e do dividendos- primeiro-impostos-depois, e o mundo da austeridade para os que nunca viveram acima das suas possibilidades.

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  11. E entre as off-shores e os trabalhadores não existe nada, Francisco?

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  12. Existe, pois. Por exemplo, 300 milhões a menos em impostos. E isso é só a PT.

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  13. Lamento fazer de advogado do Diabo. O que o estado está a fazer, nomeadamente ao nível dos cortes salariais, pode ser compreendido no âmbito de uma política de desvalorização da moeda quando não se manda na moeda. Claro que há várias formas de fazer isto, a forma que se escolhe corresponde à adopção de uma estratégia económica. Não se pode é fingir que não há nenhuma estratégia subjacente aos cortes.

    Agora imagine-se o cenário alternativo: a saída de Portugal do EURO. Se Portugal sair do EURO, os salários reais acabam por ser cortados na mesma, porque o mercado cambial trata do assunto sozinho de forma dinâmica. Não sei se na mesma proporção, se numa proporção inferior ou superior, mas duvido que os salários reais ficassem iguais.

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  14. Nuno Gaspar, dá uma vista de olhos aqui para veres se entendes que existem alternativas. Os mercados não querem perder dinheiro mas na realidade eles, não as pessoas é que causaram este problema. Brincaram com o risco e com o mercado e agora querem ser injectados com dinheiro publico que todos tem que pagar? Como será que tu te sentirias se fosses despejado da tua casa e que depois um investidor recheado de dinheiro publico viesse e comprasse a casa que perdeste por culpa de ele e que muito provavelmente te a alugará. Mais, há muito que digo que auteridade não resulta a longo termo. Se as familias perdem a sua maior valia (casa) então como vais tu redinamizar a economia se, para que possam recorrer a um emprestimo precisam de algum bem que possam usar para proteger o risco do investimento inicial. O emprendorismo em Portugal está morto por más politicas como a da austeridae. O que tem que haver é responsabilidade e justiça. Mais, o governos Europeus deveriam de criar um sistema de rating para as instituições financeiras da mesma forma que estas fazem à economia de um país.
    http://robertreich.org/

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  15. Ricardo Alves, é com muita mágoa que te vejo novamente cair na armadilha da ingenuidade bem-intencionada: acreditas que os rebeldes líbios säo democratas, e agora também que o Papandreu quer governar para os cidadãos e não para os mercados.

    Era bom que tivesses razäo, a sério.

    Quanto aos primeiros, estamos conversados, mas quanto ao último, se ele estivesse assim täo interessado nos concidadäos, porque esperou 2-anos-2 até lhes dar voz? Só à 8.a-tranche-8.a de "ajuda" ele acordou. Para mim, é má fé.

    O que ele quer é manter-se no poder. Vai perguntar aos gregos "quereis manter-vos no Euro", e se eles dizem "eh pá... no Euro até SIM!" aí ele diz "ah, pois, entäo AGUENTEM-SE COM MAIS AUSTERIDADE"...

    Quanto às questöes europeias e os eleitores portugueses, näo haveriam dúvidas que se se perguntasse fosse o que fosse, a maioria diria sempre "SIM, VENHA ISSO DE LÁ!". Os únicos contra a CEE/UE, T. Maastricht, o Euro, T. Lisboa, foram sempre e só "os comunistas". Os NÄO teriam 10%, 15% no máximo. Tendes dúvidas?

    Lembro-me em 1986, uma pergunta num teste de Geografia do 9.o ano do Curso Nocturno (i.e. para gente crescida), rezava assim:
    "Dê A SUA OPINIÃO sobre AS VANTAGENS da adesäo à CEE." Hein?
    1.o: avalia-se uma opiniäo, näo um conhecimento
    2.o: é só vantagens, porque nunca se discutiram as desvantagens (isso é pra comunagem)

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  16. Maquiavel,
    não me parece que os 55% de franceses ou os 62% de holandeses que votaram, em 2005, contra a «Constituição» europeia fossem todos comunistas. A UE tem tido a oposição da esquerda radical na Europa do Sul e da extrema direita na Europa do Norte.

    E nenhum «aprofundamento» ganhará qualquer referendo a partir de agora a menos que se refaça tudo...

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  17. E parece-te muito bem. Mas em Portugal a situaçäo seria bem diferente. Nunca houve discussäo acerca de nenhum dos tratados, as sondagens de opiniäo eram sempre do tipo "näo li mas aprovo 67%"...

    Na França e Holanda houve verdadeira discussäo pública das vantagens e desvantagens. Dentro do mesmo partido haviam vozes a favor e contra. Em Portugal? É a floresta do consenso... e quem desdiz é "Velho do Restelo"!

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