terça-feira, 8 de novembro de 2011

Tudo ao contrário


Dado o pesado endividamento privado (220% do PIB), sobretudo externo, para o qual contribui substancialmente a importação de petróleo e dado o clima de crise propício a decisões difíceis, seria a ocasião para fazer algo que já deveríamos ter feito há muito: racionalizar a fiscalidade automóvel. Já aqui propus a taxação mais severa de veículos poluentes e de veículos particulares com motores com mais de 2000 cm3 ou de veículos todo-terreno (autênticos brinquedos de luxo com rodas), absolutamente supérfluos para as necessidades de uma família. Mas a adopção de portagens ou zonas restritas a moradores no centro das maiores cidades (em vez de se taxar as auto-estradas que contribuem muito para reduzir a sinistralidade rodoviária) seria outra solução. Curiosamente ando a ler o livro de debate "Nuclear" da autoria de J. N. Rodrigues e V. Azevedo (Centro Atlântico 2006), onde da direita à esquerda, dos anti aos pró-nuclear, quase todos os especialistas convidados a comentar o problema energético nacional se pronunciam a favor das portagens nas cidades.

Em vez disso, este governo decidiu despejar o seu ódio ideológico e fundamentalista contra os transportes públicos. O encerramento de linhas e a supressão de horários é chocante numa altura em que os portugueses mais necessitam de um transporte público. As declarações do secretário de estado dos transportes Sérgio Monteiro segundo o qual "sem reestruturação não haverá transportes", revelam um completo desprezo pelo serviço público que prestam os transportes colectivos, como se fosse um mero luxo oferecido ao povo. E este ou está caladinho ou tira-se-lhe o luxo, não há cá meias-tintas. Faz todo o sentido, estamos na Península Arábica, qual Península Ibérica. Deve haver ali uma jazida de petróleo gigantesca entre o Largo do Caldas e a Rua de São Caetano à Lapa...

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