quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Anders Breivik: um louco isolado?

Após o choque inicial e 15 minutos mediáticos, o ataque de Oslo e o massacre de Utoya foram quase esquecidos, debaixo da tranquilizadora noção de que Anders Breivik seria um louco isolado. Mas, por confortável que seja distanciarmo-nos de um terrorista remetendo-o ao foro psiquiátrico, a realidade é mais perturbadora. Dificilmente um genuíno doente mental teria conseguido planear durante anos, fria e habilmente, o terceiro pior ataque terrorista em solo europeu desde 1945 (apenas ultrapassado pelos atentados de Atocha em 2004 e Bolonha em 1980). Monstro será. Louco não.

E Breivik também não está isolado. As suas ideias entroncam na teoria do "choque de civilizações", que dominaram o discurso jornalístico e académico desde outro inesperado atentado, dez anos antes, em Nova Iorque. Descontada a apologia da violência civil, o seu extremismo indigenista é comum a muitos movimentos xenófobos e personalidades políticas que detêm 10% a 25% dos votos, da Noruega à França dos Le Pen, passando pelo holandês Wilders.

Na violência confirmou-se esta semana que também não está sozinho, ao descobrir-se na Alemanha uma rede neo-nazi responsável por dez homicídios. Significativamente, os serviços secretos conheciam-nos mas não os incomodavam, obcecados que estavam com os estrangeiros islamitas.

Tome nota: em 2011 o terrorismo na Europa mudou.