quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Cai a noite na Europa

Hoje, às 10 horas e 5 minutos, a Itália ultrapassou os 7% de juros na sua dívida a 10 anos. Sabemos o que se seguiu na Grécia e na Irlanda, e também em Portugal: a intervenção do FMI, novo governo, mais destruição do Estado social, e a Grécia descobriu agora que nada disso chegou e vai reiniciar o processo. A Itália só se antecipou com a saída de Berlusconi, ontem. (Estava para escrever sobre o fim de carreira desse populista, mas não interessa. Já pouco interessa, aliás.)

Neste momento, as apostas são sobre se será a Espanha, a Bélgica ou até a França o próximo Estado a ultrapassar a mítica marca dos 7% após a qual os «mercados» decretam a ocupação de um Estado soberano pelo FMI. Poucos duvidam que Merkel e o seu caniche francês (vulgo «Merkozy») não sabem o que estão a fazer, não sabem como sair desta alhada, e que os burocratas europeus só querem saber qual é a instituição financeira para onde vão a seguir.

Há um programa de esquerda para sair desta crise mantendo o euro, que passa pelas euro-obrigações e por impostos europeus. Mas não serão os líderes actuais a impô-lo, e o próximo líder com real poder que poderá ser substituído nos próximos meses é Sarkozy, mas apenas em Maio. Até lá, muito juro vai subir, muitos salários serão cortados, muitos de nós perderão o emprego, e duvido que ainda haja euro para todos.

E a UE? Ah pois. As instituições eleitas não têm poder, e as não eleitas encostam-se à Alemanha. Foi para isto que serviu o europeísmo.

Faz-se tarde.