segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Todos às barricadas, que o governo já lá está

Os serviços ditos «de informações» são uma daquelas gorduras do Estado que não fazem falta rigorosamente nenhuma. Num momento em que pagaremos mais por menos em serviços efectivamente úteis à população e realmente públicos como o ensino ou a saúde, esses serviços, especialistas na prática de crimes úteis à actividade privada do governo, têm o papel de criminalizar a oposição e fomentar o protesto violento.

Hoje, anunciam-nos que existe um «plano de contingência»  para que «o trabalho normal do governo possa decorrer em outro lugar» se os ministérios e a casa oficial do PM forem «barricados» por manifestantes. Nem mais: barricadas a impedirem o governo de reunir. Quem lança esta fenomenal ideia são os mesmos que consideraram «dever de ofício» (sic) compilar os contactos telefónicos de um jornalista que não cometera crime algum, e que no mesmo relatório colocaram o mesmíssimo acto como relevando da «responsabilidade pessoal». (Ou seja: a hierarquia do SIED ou do SIS dá ordem para cometer um crime; quando o crime arriscar punição, a responsabilidade será pessoal.)

Enfim, por mim, até podem mandar o governo para um bunker. Mas com tanta vigilância, tanto cenário apocalíptico e tantos «inimigos invisíveis», o pesadelo de Passos Coelho de terminar no quartel do Carmo é uma daquelas profecias que se arriscam a tornar-se realidade pelo simples facto de serem enunciadas. É que quem semeia ventos colhe tempestades, e a austeridade e a repressão combinam mesmo bem é nas ditaduras...