segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Os coloridos elefantes metalizados que ajudam a afundar o país

Falou-se nesta semana na possibilidade de Portugal coorganizar o Campeonato Mundial de Futebol de 2018. Tal acabou por não se concretizar, uma vez que a FIFA se rendeu aos milionários do petróleo. Mesmo assim, julgo oportuno fazermos um balanço dos vários estádios que se construiram para o Euro 2004. O balanço é tipificado no Estádio de Aveiro, "colorido elefante branco que ajuda a afundar" o clube da cidade, o Beira Mar, que custou um dinheirão a construir e todos os meses custa 50 a 60 mil euros à Câmara Municipal de Aveiro. Para no fim ter uma taxa de ocupação reduzidíssima a cada jogo. Tanto que já houve responsáveis políticos a proporem, pura e simplesmente, a demolição do estádio.
A questão que se põe é: teria que ser assim? Conforme a reportagem do DN transmite, antes do Euro 2004, pelo menos em Aveiro, as assistências aos jogos do Beira Mar eram muito superiores. Quais são as razões para esta quebra de assistências?
A fotografia é eloquente, mas convém escrever: o novo estádio situa-se fora da cidade, isolado de tudo, no meio da floresta, rodeado por autoestradas. Posteriormente fez-se um Retail Park e continuam a construir (e a derrubar árvores) à volta, mas continua a ser um estádio isolado, no meio do nada, que foi concebido de forma a que o espectador, "naturalmente", teria carro e para lá se deslocaria de carro. O transporte público é só a partir do centro da cidade, nos dias de jogo. Ir a pé é impossível.
O portajamento recente daquelas autoestradas (justo para quem vai para Figueira da Foz, Viseu ou Porto, mas injusto para quem se dirige a Aveiro, mas este é outro assunto) só veio agravar a situação, mas o problema das baixas assistências já existia antes. Sempre existiu neste estádio.
O estádio anterior era dentro da cidade de Aveiro, com muito melhores acessibilidades de transporte público e pedonal. As assistências eram em média o dobro.
Num texto antigo, o Ricardo Alves propõe a "demolição do futebol". Proponho, em alternativa, a demolição dos carros.