terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Revista de blogues (7/12/2010)

  • «Para os que estavam descansados porque com o fim do muro de Berlim tinha sido decretado o fim da luta de classes e o mundo ocidental iria viver em tranquilidade e harmonia os últimos meses terão sido uma surpresa. O que a espionagem soviética nunca teria conseguido foi feito pela Wikileaks, o que nenhum sindicato tradicional ousaria fizeram os controladores aéreos dos aeroportos espanhóis, o que nenhuma organização política extremista conseguiria fazer foi conseguido pelos magistrados a que supostamente caberia defender a democracia. Os segredos são expostos na internet, os governantes são escutados, a segurança do espaço aéreo é posta em causa, tudo isso sem qualquer controlo de uma organização política ou sindical e sem visar qualquer revolução.(...)

    Num dia crucificamos os controladores aéreos espanhóis porque ganham ordenados exorbitantes e montaram um esquema de enriquecimento fácil, fazendo chantagem sobre a vida de milhões de passageiros. No outro resignamo-nos perante os mercados onde alguns ganham biliões à custa da vulnerabilidade de algumas economias europeias e lançam milhões de europeus na miséria económica. Aos primeiros manda-se a tropa, aos segundos mandam-se manifestações de obediência e de subserviência.
    É uma ilusão pensar que se destrói um modelo social em nome da globalização e da igualização global dos custos da mão de obra e que o modelo político fica na mesma. O poder já não está apenas na ponta de uma espingarda como ensinava Mao no seu livrinho de citações, os golpes de Estado já não se conseguem apenas com tanques, a força dos regimes já não depende apenas do poder militar e financeiro, o operador de um sistema informático tem tanto poder de destruição do que um general, as vulnerabilidades dos sistemas informáticos tornam qualquer hacker num potencial terrorista, a vida íntima de qualquer político pode ser exposta por sistemas de escutas acessíveis a baixo custo.» (O Jumento)