sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Revista de blogues (10/12/2010)

  • «Quem nunca se revoltou contra a ditadura nem contra a guerra colonial, tendo a idade que tinha e licenciatura numa Faculdade altamente politizada, algum esqueleto devia ter no armário, embora, passados tantos anos, pensasse que o anúncio da ficha na PIDE lhe desse galões de democrata e a entrada na galeria do anti-fascismo.

    O passado que esconde é recheado com um atestado de bom comportamento salazarista e a delação da madrasta da excelsa esposa, Maria Mendes Vieira, sobre a qual decidiu, em observações, escrever que, com ela, nem ele nem a D. Maria Cavaco privavam. Que razão e estranho impulso o levaram a denunciar à PIDE a distância do casal em relação à referida senhora, quando nada lhe era pedido, e que não possam agora ser revelados aos eleitores para melhor julgarem o seu carácter e a intenção da denúncia?
    A repulsa do denunciante visava uma opositora à ditadura ou a «amancebada» que vivia com um homem a quem a Concordata negava o divórcio? Para o piedoso situacionista qual das condições, ou ambas, era considerada uma infâmia?

    Um assunto deste melindre, tal como as dúvidas que envolvem a compra e a venda das acções da Sociedade Lusa de Negócios, dele e da filha, dadas as chorudas mais-valias e os amigos pouco recomendáveis que geriam a SLN e o BPN, deixaram de ser assuntos pessoais e passaram a ser do interesse público, fundamentais para julgar a recandidatura de Cavaco Silva à mais alta magistratura de Portugal.

    A Presidência tem, pelo seu simbolismo, exigências éticas que não consentem silêncios. O cargo impõe explicações sobre suspeitas que ensombrem o passado do titular. Não suporta a recusa de esclarecimentos sobre os assuntos referidos e, muito menos, sobre a eventual cumplicidade nas escutas geradas em Belém, que deixaram suspeitas graves de conspiração contra o Governo
    .» (Carlos Esperança)