sábado, 11 de dezembro de 2010

Revista de blogues (11/12/2010)

  • «(...) anda aqui um gajo a cansar-se. Mas mas mas afinal o sigilo bancário — mas mas mas afinal os paraísos fiscais. Mas mas mas afinal as contas do Pinochet, mas mas mas afinal o branqueamento de capitais, mas mas mas mas afinal isto era tudo tão difícil. Anda um gajo a preocupar-se pensando que os bancos suíços guardam a sete chaves os dinheiros de ditadores e barões da droga, genocidas e senhores-da-guerra, milhares de milhões de dólares roubados a chilenos e filipinos e indonésios e angolanos e zairenses ou congoleses — e afinal uma porcaria de 31 mil euros guardados para reagir a um caso de assédio sexual mal amanhado podem ser cativados de um momento para o outro e objeto de um bom comunicado de imprensa para o mundo inteiro.
    Aí Suíça, Suíça.
    Entretanto, a Visa — e, segundo parece, a Mastercard — proibiu todo o tipo de transferências bancarias para a wikileaks. Mas mas mas o mercado livre; mas mas mas as empresas que não aceitam intereferência política. E isto sem sequer ter havido uma sentença em tribunal.
    Francamente, passei uma vida a evitar teorias da conspiração e equivalências entre democracias e ditaduras.  Passei uma vida a dizer “que não era bem assim” a todos os taxistas, e a todos os bêbados em bares, e a todos os paranóicos.
    É pena que, no momento em que se revela a nossa verdadeira face, eu não tenha razão.» (Rui Tavares)