quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

E quem te elegeu a ti?

Portugal entrou na CEE porque não tinha alternativa, mas rapidamente quem criticava a sacrossanta «Europa» era taxado de «eurocéptico», suspeito ou de ser um anticapitalista primário da extrema esquerda ou um nacionalista cego da extrema direita. No centro esquerda, fez furor um «europeísmo» ingénuo que parecia tomar como garantida a solidariedade incondicional da Europa «rica» e que acreditava numa cidadania europeia igualitária e cosmopolita já ao virar da esquina. No centro direita, imperou o aproveitamento cínico dos célebres «subsídios» e das novas oportunidades de negócio, sem pensar no amanhã porque depois mete-se o dinheiro noutro sítio qualquer.
 

Nunca se reflectiu seriamente sobre o que significava a União Europeia, sobre os objectivos e intenções dos Estados que a lideravam, e jamais se permitiu que o cidadão da soberana República portuguesa se pronunciasse em referendo que fosse sobre a «arquitectura institucional» dessa maravilha europeia do pós-muro de Berlim que é o Império germano-francês com capital em Bruxelas.

Ficámos com a Europa que não votámos, em que os nossos queridos líderes não pensaram bem, e fora da qual não há plano B. Uma Europa liderada por um Directório dos Estado mais populosos e mais ricos, com um «Parlamento» que não pode iniciar legislação e com um Banco Central amarrado a dogmas econométricos neoliberais. E com um Conselho Europeu que decide tudo à porta fechada, inclusivamente os «ministros» do governo de facto da coisa, a Comissão Europeia.

E agora, quando tudo pode cair se não se mudar o rumo da nau, um senhor  finlandês que é Comissário Europeu «recomenda» que aumentemos a nossa «flexibilidade laboral», que paguemos menos aos desempregados, que se reveja a «justa causa» e que se paguem menos indemnizações a quem fica desempregado. 

Com a autoridade delegada por quem? Pelos governos que desde 1985 nos negaram um referendo e sempre nos disseram que na Europa não discutíamos, obedecíamos? E com um mandato conferido por quem? Pelo Conselho Europeu em que a Merkel sugere e o Sarkozy veta ou não? Mas quem o elegeu?