quinta-feira, 17 de maio de 2012

Revista de blogues (17/5/2012)

  • «O mais curioso para quem sofra de alguma ingenuidade política é que entretanto, e apesar de tão amplo naquilo que proclama, o Manifesto ter começado já, principalmente em alguns blogues e nas redes sociais, a ser alvo de ataque e detração. Porque é fulano ou beltrana que «estão por trás» (em alguns dos casos nem é verdade, e além disso cada um pensa por si), porque é «muito verde e fresco» e o logótipo não comporta os símbolos tradicionais do trabalho, porque é coisa de intelectuais desligados das massas, porque os seus promotores se propõem «promover um capitalismo que funcione em benefício de todos». São estes os «argumentos» mais simples, em relação aos quais não vale a pena qualquer trabalho de refutação. Mas existem objetivos expressos que levantam possibilidades insuportáveis e contranatura para alguma esquerda. Mesmo quando esta proclama, em decisões políticas, a necessidade de unir, de incorporar independentes, de agregar «democratas sem partido». Porque propor a construção de uma esquerda plural, «liberta das suas rivalidades, do sectarismo e do feudalismo político que a paralisa» impõe contornar aqueles que os alimentam constantemente. Porque falar de «uma democracia mais representativa e mais participada» sugere a necessidade de ver a política para além das dinâmicas eleitorais e da luta de rua, embora em conjugação com elas. Porque falar de «uma Europa apoiada na solidariedade e na coesão dos países que a formam» torna necessária a superação das estratégias isolacionistas e nacionalistas que têm paralisado. Porque propor um «alto nível de desenvolvimento económico, social e ambiental» contesta a velha política da terra queimada. E principalmente porque este Manifesto exclui a possibilidade de uma corrente hegemónica ditar às outras – na teoria ou na prática – o caminho a seguir. Abre o campo, em vez de cavar trincheiras.
  • Estas reações estão afinal na natureza das coisas e é precisamente por elas existirem e se mostrarem à primeira oportunidade que este «Manifesto para uma Esquerda mais livre», aberto à participação e em desenvolvimento, faz todo o sentido e parece ter boas razões para meter os pés ao caminho.» (Rui Bebiano)

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