sexta-feira, 4 de maio de 2012

O projeto político do Pingo Doce

Não devemos culpar ou apontar o dedo, de maneira nenhuma, aos portugueses que passaram o seu 1º de Maio nas filas do Pingo Doce à espera de um desconto de 50% em todas as mercadorias. Nem sou eu que vou julgar quem fez compras de forma "irracional" - também aproveito os cupões do Minipreço e os descontos de 75% do Continente como posso, e facilmente compro azeite, arroz, café ou vinho em grandes quantidades se o preço for convidativo. Agora, eu não faço estas compras no Dia do Trabalhador. Uma vez mais: no estado atual de crise, não condeno quem se tenha aproveitado desta promoção, que bastante diferença pode fazer nas contas do fim do mês. Mas, e isto é o mais importante, as promoções que eu uso estão disponíveis em todos os outros dias (sendo que uma das lojas, o Minipreço, até estava fechada no Dia do Trabalhador). A promoção do Pingo Doce - é isto que eu condeno - tinha como principal objetivo o ataque a este dia. Os patrões das outras lojas são tão capitalistas como o do Pingo Doce, mas o do Pingo Doce é pior. Os outros acima de tudo querem é vender muito, e mais (e condições políticas favoráveis a isso, claro). O patrão do Pingo Doce tem um projeto político próprio. A "Fundação", a obra "filantrópica" e este ataque ao Dia do Trabalhador são só aspetos desse projeto. Ainda o veremos a lançar um candidato à Presidência da República. Leitura complementar: A revanche do Pingo Doce, por André Barata.