segunda-feira, 7 de maio de 2012

O trabalho já não é o que era

O Dia do Trabalhador foi proclamado em 1891 numa reunião da Segunda Internacional. Presentes, delegados de dezasseis países. Hoje é feriado oficial em mais de 80 países. À época, a grande reivindicação era que a jornada máxima de trabalho fosse de oito horas, mas o objetivo era reforçar, permitam-me o arcaísmo, o trabalho contra o capital. Se preferirem, quem vende o seu tempo, energia e criatividade (e parte da sua liberdade) contra quem compra trabalho.

Essa relação de forças equilibrou-se a favor do trabalho durante a melhor parte do século XX, mas desequilibra-se hoje rapidamente a favor do capital. Tornou-se mais comum trabalhar sem limite horário, até trabalhar de graça para depois ser (talvez) contratado. O trabalho desvaloriza-se agora em toda a Europa para salvar os bancos, num recuo preparado por décadas de doutrinação em que se passou como “natural” o paradigma do emprego temporário, do contrato à hora, da precariedade total e do despedimento instantâneo.

A desindustrialização e terceirização da Europa ajudaram, assim como uma União Europeia que permitiu que empregadores facilmente se servissem das diferenças salariais e contratuais nacionais. Infelizmente, sindicatos e media centrados nos funcionários públicos, quando os maiores cortes salariais e despedimentos são no privado, não ajudam a evidenciar os problemas.

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