terça-feira, 19 de outubro de 2010

Sobre SCUTs e portagens

Tal como o Daniel Oliveira, também concordo que é imoral pretender que o estado sustente o meu transporte privado, principalmente numa época de crise como esta, pelo que em princípio sou totalmente favorável à cobrança de portagens nas autoestradas. Digo “em princípio” porque pode haver exceções, de trânsito local, sem nenhuma alternativa (e quando digo nenhuma, é mesmo nenhuma). Não é o caso que está agora em discussão, que são vias de acesso ao Porto e tudo menos estradas de trânsito local. (Mesmo assim, ao contrário do Daniel não tenho problemas em escrevê-lo aqui no blogue. O Daniel escreveu-o no Expresso, mas no blogue – atitude inédita ou pelo menos muito pouco usual – transcreveu apenas uma pequeníssima parte do texto, sem nenhuma referência à sua opinião sobre as portagens, que poderia ser considerada polémica pelos leitores do Arrastão. Estará o Daniel com medo de comentários negativos?)
Dito isto, há que reconhecer que o modelo proposto para a cobrança de portagens é uma trapalhada sem sentido nenhum. Este artigo do El Mundo é exagerado, incompleto e parcial, mas é indesmentível que no essencial está correto: a cobrança de portagens, principalmente aos estrangeiros, nos moldes em que está a ser feita é absurda. E assim, por o PS não ser capaz de reconhecer as trapalhadas que faz, poderá vir a cair uma medida positiva. Já ocorreu o mesmo com outras medidas, como a avaliação. Sem voltar atrás, o PS ainda vai a tempo de emendar a mão. Será que consegue?
Reconheço que não é um problema fácil, para quem quer instalar portagens ao longo dos muitos quilómetros de SCUT sem contratar mais gente para isso. Mas será tão difícil assim conceber dispositivos que abram automaticamente com a introdução de numerário (notas e moedas) ou de um cartão de débito/crédito? E será assim tão mais caro contratar alguns portageiros que seja? Talvez seja o sinal de que temos mesmo autoestradas a mais.

6 comentários :

  1. «Estará o Daniel com medo de comentários negativos?»

    Duvido.

    Já li no Arrastão várias críticas ao BE por parte do Daniel Oliveira.

    E se o medo dele fosse ficar "on the record" por criticar o partido, publicar a crítica no Expresso seria pior opção que fazê-lo no seu blogue.

    ResponderEliminar
  2. O problema não é a contratação de portageiros nem o custo das cancelas.

    O problema é que as SCUT foram construídas para não terem portagens e, em muitos casos, não têm condições para que o tráfego que nelas entre fique parado enquanto se cobram as portagens.

    As SCUTs à volta do Porto têm , nalguns casos, entradas que dão quase diretamente para ruas secundárias. Se houvesse um dispositivo de cobrança de portagens que obrigasse os carros a parar, nem que fosse por dez ou vinte segundos, rapidamente a rua secundária ficaria entupida com a bicha de carros que queria entrar na SCUT.

    Mesmo nas próprias SCUTs verificam-se (já o experimentei) bichas de carros parados a quererem sair da SCUT para a rua secundária. É claro que isso numa autoestrada não é muito grave - os automobilistas que querem passar têm uma faixa extra para o fazer. Mas, ter uma bicha de carros numa rua secundária, rapidamente entupiria o tráfego na cidade.

    É claro que, a acrescentar a esta, haverá sem dúvida uma outra razão, talvez até a principal: a vontade do governo de dar uma mãozinha à empresa detentora da tecnologia Via Verde, a qual assim vai adquirir muitos mais clientes.

    ResponderEliminar
  3. Filipe,
    como sabes é um tema que me interessa, e estive sempre atento para perceber como se ia processar a cobrança. Só no primeiro dia é que realmente percebi o que ia acontecer. Uma trapalhada enorme.

    Quanto a portagens físicas, lembro-me de ter lido que o custo da sua introdução custaria várias centenas de milhões.

    Os custos de cobrança física são altíssimos, e graças a eles chego a pensar se faz sentido cobrar portagens nas AEs. Uma solução seria ter um Via Verde obrigatório a nível europeu, ou fazer os automobilistas pagarem pelo sistema rodoviário no preço dos combustíveis. Isto é impossível enquanto tivermos um vizinho que tem dos preços mais baixos de toda a Europa.

    ResponderEliminar
  4. na realidade pode haver uma solução muito simples: vender chips pré-carregados com 5, 10 ou 20 euros em portagens. podem estar à venda nas tabacarias e nos postos fronteiriços (por exemplo, na suíça, onde as portagens são pagas anualmente através de um dístico no pára-brisas, estes são vendidos em qualquer posto fronteiriço).

    quanto ao chip de matrícula europeu, já aqui o mencionei.

    ResponderEliminar
  5. Obrigado a todos pelos vossos comentários.

    João Vasco, evidentemente o Daniel Oliveira não quer esconder a sua opinião dentro do Bloco de Esquerda (onde não me parece que haja delito da mesma). No entanto já não diria o mesmo no que diz respeito aos leitores do Arrastão, para cujos comentários parece-me que ele já não tem grande paciência. Mas posso estar errado.

    ResponderEliminar
  6. Não é por nada, mas nenhum de vocês utiliza transportes públicos?

    Mim levanta-se uma hora mais cedo
    do que faria se utilizasse carro
    ando entre 2 a 4 kilómetros a pé
    e só utilizo transportes públicos

    as SCUTS e restantes mataram o transporte público e promoveram o uso de transporte privado
    num país sem petróleo
    e sem dinheiro para comprar 200mil automóveis por ano

    essa é uma das muitas imbecilidades
    que os soaristas promoveram e que os Cavaquistas levaram a extremos

    cobre-se um país de betão com que fim?
    essa e não as scut's é a questão

    é isso que me chateia
    discutem-se sempre minúcias
    nunca se pensa no quê
    no para quê e no porquê

    ResponderEliminar

As mensagens puramente insultuosas, publicitárias, em calão ou que impeçam um debate construtivo poderão ser apagadas.