segunda-feira, 25 de outubro de 2010

A reabertura das grandes superfícies ao domingo

Ou os inquiridos são escolhidos de uma forma não aleatória, ou basta ouvirmos qualquer inquérito de opinião na rua para nos convencermos de que os portugueses são na sua esmagadora maioria favoráveis à abertura das grandes superfícies ao domingo no ano inteiro. Pessoalmente creio que, no século XXI, com o comércio online a funcionar 24 horas por dia, não fazem sentido este tipo de restrições. Se as houvesse, que fosse como em França onde, excetuando em mercados ao ar livre e lojas de conveniência, não se compra comida aos domingos em lado nenhum, lojas, super e hipermercados: quem não a comprou no sábado, que vá ao restaurante. Pelo menos não existe esta distinção artificial entre "pequenas" e "grandes" superfícies. Mas, repito, se outras atividades económicas operam ao domingo, não me faz confusão nenhuma que as lojas de comida também o façam (embora também não faça questão de que o façam, e vivi bem em França sem o fazerem). Parecem-me por isso serôdias as críticas de muitos que entendem por bem decidir como devem as pessoas passar os seus domingos. Mais serôdia ainda me parece a defesa do comércio "tradicional". Estas posições estão condenadas a desaparecer ou a tornarem-se cada vez mais minoritárias - é o progresso. Em vez de perderem tempo com elas, os críticos desta nova reabertura deveriam concentrar-se naquilo que é realmente importante: garantir que ninguém é explorado e que a carga horária semanal dos trabalhadores destas superfícies não é aumentada. Desde que tal se verifique eu sou favorável a estas aberturas (ou pelo menos não sou contra). Mas há que estar vigilante. O resto é do séc. XX.

6 comentários :

  1. "excetuando em [...] lojas de conveniência, não se compra comida aos domingos em lado nenhum [...] não existe esta distinção artificial entre pequenas e grandes superfícies"

    Existe então a distinção artificial entre lojas de conveniência e outras lojas. Ou fui eu que entendi mal?

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  2. Viva o progresso então. E porque não as escolas e as repartições públicas abrirem também ao sábado e domingo? E as creches, claro, não seria altamente progressista poder-se deixar lá as criancinhas para ir ao hipermercado? Viva o progresso, viva, pim!

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  3. J, as escolas privadas e as creches são livres de abrir ao domingo. Só não abrem porque não querem, porque acham que não teriam clientela nesse dia. De resto são livres, tal como devem ser e tal como os hipermercados são livres de abrir, mas também de não abrir.

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  4. as escolas e repartições públicas já abriram sábado de manhã

    e ainda hoje o IPSS abre

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  5. Óptimo. Já dei aulas ao sábado de manhã numa escola pública, avancemos então. Mas o pessoal não quer trabalhar? Qual é essa estúpida ideia de que há um dia ou dois por semana em que quase ninguém trabalha para que seja possível fazer banalidades como almoços de família ou passeatas pelo campo? Trabalhemos todos, porque é o que faz falta. Que se lixem os filhos, os amigos, a sociabilização, o que é preciso é rentabilizar o investimento. o trabalho liberta, já sabemos.

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  6. merceeirias e os minimercados fecham ao domingo (regra geral) mas pingo doce et al. não. seriam os últimos considerados os "tradicionais" que era necessário proteger?

    nota: sempre achei uma parvoíce fechar-se o comércio ao domingo ou a horas fora de expediente. principalmente para quem tem a semana ocupada, ter de passar o sábado todo nas compras é uma violência.

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