segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Cortes ou extinção?

Os serviços ditos «de informações» terão cortes em salários e pessoal. Nada mais normal, dado que todos os serviços do Estado se vão ressentir da crise instalada. O que é incompreensível é que, quando os serviços públicos de saúde e educação inevitavelmente sofrerão os mesmos cortes, com consequências desagradáveis para os utentes e para a população mais necessitada, o Público coloque os cortes aos «informaçõezinhas» (o serviço do Estado que mais cresceu nos últimos anos, em pessoal e financiamento) em manchete de primeira página, e o jornal-com-uma-só-letra-no-nome produza o fantástico título «Cortes nos serviços de informações podem comprometer funcionamento». Sinceramente, alguém notará se o funcionamento do SIED e do SIS for afectado? Qualquer museu de província é mais útil à população em geral do que as polícias «secretas», com a tremenda vantagem de os museus, as escolas e os hospitais não andarem a colocar em causa os nossos direitos fundamentais e a nossa privacidade, nomeadamente fazendo escutas telefónicas ilegais.

E, do mesmo fôlego,  a reivindicação de alterar a Constituição para legalizar as escutas ilegais a pessoas que não cometem crimes volta às páginas dos jornais, com o deputado «socialista» José Lello a pedir um «debate sereno»(sic) sobre a legalização das escutas telefónicas. Eu dou-lhe o debate sereno: ele que coloque sob escuta uma amostra de deputados do governo e da oposição, e que depois lhes pergunte se gostaram.

Tendo em conta o monstro que se está a criar perante a passividade dos cidadãos, o melhor seria equacionar, não cortes, mas a extinção pura e simples do mais inútil e perigoso dos serviços estatais.