sábado, 4 de setembro de 2010

O primeiro julgamento do resto da vida deste país

A blogo-esfera está estranhamente silenciosa. Não sei por indiferença ao que não é directamente político, se por pudor de comentar sentenças judiciais, a verdade é que a comentarite aguda está de férias em setembro.

Arrisco. O «processo Casa Pia» é o primeiro em que poderosos são condenados por crimes, o termo é adequado, «de sangue». Esse é um facto indubitavelmente positivo. Outro, que a sociedade portuguesa se pode ter começado a consciencializar de que existe, em muitas instituições de acolhimento de crianças, uma cultura de abuso sexual que passa de geração em geração, e que o silêncio é a pior forma de lidar com esse problema.

Há também constatações negativas. Enquanto cidadão, não me agrada uma justiça que demora oito anos a julgar um caso (eu sei, foram ouvidas quase mil pessoas; mesmo assim). Mais confusão ainda me causa perceber que os condenados podem aguardar em liberdade pelo resultado de recursos que demorarão anos. E gostaria que alguém esclarecesse como se tentou arrastar a direcção socialista de Ferro Rodrigues e Paulo Pedroso para este imbróglio.

Em qualquer dos casos, não é todos os dias que a justiça portuguesa condena um mediocrata e um ex-embaixador.