sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Sexo! Sexo! Sexo!

Há dois ou três meses a minha filha de cinco anos decidiu que só queria usar calças de ganga e só muito mais tarde é que percebemos porquê: uma das educadores do jardim de infância disse-lhe - e a outras duas crianças - que tinham de usar calças, se queriam pendurar-se nos tubos e nas cordas do jardim "porque com os vestidos viam-se-lhes as cuecas e era indecente".

Já ouvi evangélicos gabarem-se de terem vidas sexuais extraordinárias por causa da repressão: a simples palavra sexo faz-lhes suar as mãos e arregalar os olhos, e parece que o consumo de pornografia entre eles gera lucros anuais de 10 a 14 mil milhões de dólares por ano. Por outras palavras: são todos tarados sexuais!

Para um europeu é incomodativo viver entre estes puritanos. Penso que nem o Santana Lopes - que como se sabe não é esquisito - aguentava isto. São tão porcalhões! Há 10 anos, numa piscina pública, um pai de uma criança pediu-me para "pôr a parte de cima do bikini" à minha filha de dois anos.

Não sei se as estatísticas indicam que haja mais crimes sexuais nos EUA que em outros países. Mas a televisão tem programas sobre crimes sexuais dia e noite. Os texanos só pensam em sexo e frequentemente tenho a sensação humilhante que a mulher com estou a falar acha que eu lhe gostaria de saltar para cima. Pode ser impressão minha, mas há uma expressão na cara delas que trai uma indignação qualquer, entre o perverso e o puritano, uma atenção histérica aos sítios por onde os meus olhos andam, como se estivessem a falar comigo e a verem um pénis falante, entumescido e com veias roxas, com olhos e cabelo. E como o sexo entre eles é uma coisa violenta e degradante, ser incluído nos pensamentos deles incomoda-me. Apetece-me dizer-lhes, educadamente, que não lhes tocava nem que fossem as últimas mulheres do mundo, que as camadas de tinta que metem na cara me repugnam, que a cabeleireira delas é delirantemente incompetente, que não deviam meter os umbigos ao léu sem fazerem uma dieta séria primeiro e que o mero facto de falarem com um sotaque do sul mata qualquer resto de desejo que a minha idade avançada pudesse ter preservado.

Para não falar dos chinelos, dos calções e das t-shirts com frases da Bíblia, que são o traje nacional do Texas.