quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Esquerda e as ditaduras comunistas - I

O truque favorito da direita, quando se propõem políticas de esquerda, é alegar que elas estão todas destinadas a um fracasso catastrófico ou perigoso, apontando para os exemplos das ditaduras comunistas.

Importa mostrar os erros desses argumentos em três níveis diferentes.

O primeiro nível é deixar bem claro que a maioria da esquerda rejeita o comunismo. Mas não rejeita apenas o comunismo por considerá-lo um ideal utópico, mas inalcançável num futuro próximo - rejeita o comunismo por discordar de que uma sociedade comunista seja a ideal.

Assim, se alguém propõe uma medida de direita, não faz sentido alegar que ela "é má, porque basta olhar para o exemplo da Itália fascista ou da Alemanha nazi, e do que lhes aconteceu". Eu sei que a maioria das pessoas de direita rejeita o fascismo, não porque lhes pareça utópico e inalcançável, mas porque lhes parece mau.

O mesmo princípio se aplica à esquerda. Se há coisa que as décadas de 50, 60 e 70 mostraram é que Hayek se enganou em toda a linha no seu «Caminho para a Servidão». Se há coisa que a Suécia e o Canadá mostram é que as previsões do livro estavam bem distantes da realidade. Mas independentemente da diferença de resultados entre as políticas de esquerda moderada e as políticas de esquerda radical (que serão discutidos em breve), há - não tenhamos dúvidas - uma diferença de objectivos. É injusto e errado criticar a esquerda moderada como se fosse herdeira das alegadas asneiras feitas pela esquerda radical.