domingo, 8 de maio de 2011

Revista de blogues (8/5/2011)

  • «A comunicação de Cavaco é um veemente apelo à substituição de José Sócrates. A insistência na mudança só pode ser interpretada nesse sentido: se continuarmos na mesma – isto é, se continuarmos com Sócrates – ficaremos pior.
    O mais grave, porém, é que a comunicação de Cavaco revela as suas limitações e a sua incapacidade para analisar a situação portuguesa em toda a sua complexidade. Ela não constitui uma análise serena e objectiva da situação. É antes a intervenção de um líder partidário, apenas capaz de analisar as coisas pelo prisma estreito dos interesses que defende e da limitada visão do mundo que o cerca.
    (...)
  • Cavaco não questiona o status quo, por mais aberrante que ele seja. A zona euro tal como foi concebida, os seus desenvolvimentos posteriores, a crise financeira internacional, as grandes manobras do capital financeiro e especulativo, coadjuvadas pela acção intrusiva das agências de rating, constituem para Cavaco um contexto inquestionável e indiscutível. As coisas são assim, porque alguém mais poderoso e mais forte do que nós assim o decidiu. Questionar tal contexto apenas servirá para atiçar ainda mais a acção daqueles que devemos respeitar …e se possível imitar. (...)Mas quem é que gasta acima das suas posses: são aqueles que ganham pouco e sucumbem, muitas vezes por necessidade, aos apelos da sociedade neoliberal de consumo que, depois de instaurar uma grande desigualdade na distribuição dos rendimentos, teve de baratear o crédito para garantir a sua própria subsistência e o seu permanente desenvolvimento ou aqueles que ganham muito acima daquilo que o seu trabalho realmente produz, ou os que recebem reformas milionárias por trabalho que não prestaram e descontos que não fizeram, ou os que, actuando no negócio do dinheiro, se endividam no estrangeiro para o emprestarem internamente a quem muitas vezes não está em condições de pagar tudo o que pede emprestado, ou ainda aqueles que constroem por todo o lado grandes superfícies, verdadeiros templos de despesismo e de consumo, que, na profusão com que existem, apenas servem para aumentar o endividamento, as importações e eliminar por completo qualquer hipótese de poupança interna? (...)» (JM Correia Pinto)

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