segunda-feira, 16 de maio de 2011

Revista de blogues (16/5/2011)

  • «O PCP nunca quis fazer uma revolução socialista em Portugal. Isso não significa que o PCP não tenha querido ocupar lugares no aparelho de estado, quis e muito, e o PS também. Até Setembro de 1975 ocupou muitos lugares no aparelho de estado e partir dai há um volte-face e é o PS que passa a ocupar esses lugares (...) Daí a concluir-se que o partido quer tomar o poder e expropriar a burguesia e tomar o poder dirigindo órgãos de duplo poder pelos trabalhadores… Estamos a falar de um partido que defende a batalha da produção, que defende que os trabalhadores devem aumentar a produtividade no quadro da propriedade privada. O PCP defende que se deve parar de fazer greves nesse quadro dos 92 % da propriedade privada e aumentar a produtividade do país. (...) O sector empresarial do Estado (SEE), depois das nacionalizações, fica inferior ao da Alemanha e da França. 8 % da mão-de-obra trabalha no sector empresarial do Estado, depois das nacionalizações, e na Alemanha e na França entre 10 e 12%. Tomar um sector nacionalizado do Estado como prova irrefutável de uma política revolucionária é errado. Por essa lógica a Alemanha também estaria em transição para o socialismo, pois tinha mais empresas nacionalizadas que Portugal. Eu acho que as nacionalizações são a prova de uma revolução em curso mas não são a prova de que o PCP quis fazer uma revolução. Uma boa parte das nacionalizações nasce do desejo de impedir o controlo operário das fábricas. As fábricas vão para as mãos do Estado para saírem das mãos dos trabalhadores. Para evitar a duplicidade de poder nas fábricas. (...) Não há um confronto armado entre classes sociais antagónicas e a única justificação para isso é o recuo do PCP no 25 de Novembro. A disponibilidade do PCP não fazer avançar nem os trabalhadores organizados, na Intersindical, nem as unidades militares por si controladas, que do ponto de vista do equilíbrio militar as unidades de esquerda até tinham mais força que as de direita. (...) O PCP fez um acordo com o Grupo dos Nove no dia 25 de Novembro alegando que a revolução continuava. Em 1976 Cunhal diz que a revolução continua e só em 1999 escreve que o 25 de Novembro foi o fim da revolução. Em 1976 nem sequer considera o 25 de Novembro um golpe, considera sublevações militares que permitiram ao PCP reagrupar-se novamente com o Grupo dos Nove e isolar a Esquerda Militar. É o que o PCP escreve em Novembro e Dezembro de 1975. » (Raquel Varela)

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