domingo, 4 de abril de 2010

Revista de blogues (4/4/2010)

  1. «O que está aqui em jogo é uma concepção política que faz primar os direitos superiores, de origem divina, consagrados por um bem supremo, sobre as leis civilmente instituídas na cidade humana.
    Trata-se da concepção que define o paradigma mais activo do imaginário hierárquico e antidemocrático: aos detentores da verdade revelada, os conhecedores científicos das leis da natureza, da história ou da racionalidade económica, compete ditar a lei da cidade, e impô-la à multidão dos demais, pela persuasão ou pela violência. E acresce que nem mesmo essa lei que ditam - a Igreja ou o Partido - os vincula, porque, para todos os efeitos práticos, o seu poder disso os dispensa, ou lhes permite ajuizar da oportunidade da aplicação dos seus próprios preceitos, em função dos interesses superiores da ordem estabelecida ou a estabelecer e da salvaguarda da autoridade dos seus agentes.
    » (Miguel Serras Pereira)
  2. «Pessoas ruins há em todo o lado. As organizações religiosas dão ares dos seus sacerdotes serem exemplos de virtude, mas concordo que temos todos a responsabilidade de ver que isso é treta e de perceber que padres são homens como quaisquer outros. Por isso se as notícias fossem que um padre católico tinha ido preso por violar uma criança eu não culpava a organização. Culpava-o a ele e pronto.
    Mas o que vejo são notícias de padres católicos que violaram crianças durante décadas, de outros que os foram transferindo quando havia queixas, da organização que ocultou da justiça, da sociedade e até dos familiares das vítimas estes crimes, e que se esforçou por descredibilizar os queixosos e coagir-lhes o silêncio. Isto não é um problema de pedofilia. Isto é uma organização com os valores todos trocados, que põe a manutenção das aparências à frente da consideração pelas crianças violadas e até da prevenção de mais crimes.
    » (Ludwig Krippahl)