segunda-feira, 26 de abril de 2010

Pérolas da blogo-esfera

No Cinco Dias, o lendário Carlos Vidal protesta contra uma manifestação oposicionista em Cuba, proclama o «dever» de «impedir» a manifestação e disserta sobre uma «violência (...) verdadeiramente livre e espontânea», «despoletada, enquadrada e estimulada» pela «democracia», contra as manifestações suspeitas de serem promovidas por Laura Bush(!).

O estalinismo ainda existe!

9 comentários :

  1. Cá está a razão porque gosto do vosso blog, ditadura é ditadura e à esquerda ou direita o resultado é semelhante.
    Não fosse o referendo à República...

    ResponderEliminar
  2. Se calhar o que era bom era voltarmos à década de 50. De certeza que os 6 parentes das 6 magníficas teriam cada um o seu magnífico casino. Os yankees esmeravam-se um pouco mais e faziam umas eleições altamente democráticas como as da Nicarágua dos anos 90 e aqui a burguesia esquerdista aplaudia!

    ResponderEliminar
  3. Mas alguém está a dizer que antes é que se estava antes? Que a alternativa é regressar ao que sucedia nos anos 50? Essa lógica podia ser usada durante o Estado Novo: se calhar era melhor voltarmos aos anos 10 e 20, onde os governos se sucediam em catadupa e o país caía no abismo...

    ResponderEliminar
  4. O meu comentário é capaz de ter ido longe demais e peço desculpa por isso. Mas a ideia que quero frisar é que esta democracia tradicional não é uma alternativa em Cuba.

    1 - Cuba é "atacada" pelo império desde o 1º dia da Revolução. O levantamento do bloqueio económico é todos os anos vetado. São conhecidas (os documentos nos eua deixam de ser "classified" ao fim de algum tempo) tentativas de assassinatos e outra manobras de sabotagem que ainda hoje continuam. É óbvio que há muita coisa a mudar, mas em tempo de guerra não se limpam armas.

    2 - Todos sabemos o que aconteceu aos governos democraticamente eleitos cujas políticas não alinhavam com os interesses dos yankees e das suas grandes companhias. Chile, Nicarágua e recentemente as Honduras são exemplos. O termo "República das Bananas" não foi inventado aqui, há uma razão para ter surgido.

    Não se pode fazer a Cuba o mesmo tipo de exigências que se fazem noutros contextos. Uma total liberdade de expressão, eleições "democráticas", etc levariam o país num instante ao paraíso de prostituição e jogo anterior a 1959.

    E espero que ninguém me diga que o bloqueio económico não deve ser levantado por causa da direcção política do regime cubano. Que eu saiba, a direcção política nunca impediu os yankees de fazerem negócios com o Pinochet, o Mobutu, o Saddam Hussein e os sauditas!

    ResponderEliminar
  5. Caro Anonimo

    Por mim não precisa de pedir desculpa. Ninguém se insultou e apenas estamos a argumentar, de forma mais ou menos calorosa.
    Tem muita razão no que diz, é verdade que o imperialismo americano existe mas atenção, não é o único nem pode ser usado como bode expiatório de tudo.
    Que o sistema político cubano seja diferente do nosso para fazer face às suas circunstâncias, todos aceitamos, não podemos é aceitar violações dos direitos humanos. Não há nada que justifique que uma sociedade relativize esta questão. As pessoas têm que estar acima de tudo. Aliás, é isso mesmo que se critica nos EUA, correcto?
    Por outro lado, não podemos defender sectariamente tudo o que se faz em Cuba para defender o regime/status quo. Isso é pura cegueira política.
    Ou seja, tem cuba os seus pontos bons? Tem. Tem os seus pontos maus? Concerteza que sim. Mas não é por resistir ao imperialismo americano nem por ser um regime comunista que está livre de erros e, sobretudo, de crítica. No fundo, todos os que partilham uma visão de uma sociedade solidária e justa não podem branquear o regime castrista assim como não branqueamos o que se passa nos EUA. No fundo, acreditamos que Cuba pode ser tudo o que é e ainda mais!

    ResponderEliminar
  6. Caro JDC,

    Estou a ver que a discussão se torna interessante! E penso que concordamos no essencial. Confesso que se calhar dou a Cuba um "desconto" maior do que devia...

    Mas é preciso não nos esquecermos que a imprensa não é uma entidade independente que apenas relata o que acontece. É nalguns casos um instrumento político muito forte. Aliás, basta ver o papel da cadeia Fox em toda a oposição às reformas na saúde americana. Eu apostaria que se 100 pessoas se manifestassem em frente a uma embaixada americana na Argentina isso não apareceria em lado nenhum, mas se 2 pessoas aparecessem à frente da embaixada de Cuba com um cartaz se calhar já faria notícia na CNN ou na Fox.

    Eu admito que se exija, dentro do razoável dadas as condições que já discutimos, mais a Cuba. O que não acho admissível é que no país do mundo com maior % da população presa, e onde há presos políticos cubanos, haja uma máquina de propaganda constantemente a "criar" estas notícias.

    ResponderEliminar
  7. Eu acho que Cuba e uma ditadura repugnante, onde as pessoas sao presas por delito de opiniao. O facto de os EUA serem um pais imperialista, onde o lucro justifica assassinios em massa (por exemplo, 1 milhao de iraquianos nos ultimos 5 ou 6 anos) nao desculpa Fidel nem Raul.

    ResponderEliminar
  8. A blogosfera seria um lugar bem mais enfadonho sem as tiradas do impagável Carlos Vidal. Essa é que é essa.

    ResponderEliminar
  9. O problema não são as tiradas do Carlos Vidal ou do Renato Teixeira, são os ecos que existem dentro do PCP...

    ResponderEliminar

As mensagens puramente insultuosas, publicitárias, em calão ou que impeçam um debate construtivo poderão ser apagadas.