quinta-feira, 9 de junho de 2011

Por que desce o Bloco – lições à esquerda

Para um indefetível trotskista, ou maoísta, ou estalinista, estas diferentes fações são incompatíveis e provavelmente não podem coabitar no mesmo partido. Para quem viva realmente no séc. XXI e ache que tais distinções fazem parte da história (e só dela), há um grande partido de esquerda de protesto em Portugal: o PCP. Nem sempre este partido se afirmou como esquerda de protesto, mesmo num passado recente, com Carlos Carvalhas; mas com a ascensão de Jerónimo de Sousa e a saída dos membros da Renovação Comunista, parece ser esse o papel que este partido reservou para si. Há setores do Bloco de Esquerda que o querem disputar, mas quem esteja de fora dessa área acha que esse papel já está bem entregue ao PCP. Mesmo se acabem a votar com o protesto na cabeça, mais facilmente preferem votar num protesto inequívoco como o do PCP que num voto ambíguo, nem que seja para castigar essa mesma ambiguidade (foi o meu caso). O essencial já foi dito, e bem, a meu ver, pelo Daniel Oliveira: se o Bloco insistir em rivalizar com o PCP, mais do que um partido sem futuro torna-se um partido inútil. E isto é particularmente triste quando, com um PS que nunca esteve tão encostado ao centro, faz falta como nunca antes uma força partidária de esquerda reformista mas que jamais pactue com a direita.
Acresce o que já aqui escrevi, num comentário a um texto do Miguel: reparemos nas eleições todas desde 1990 (pelo menos): a esquerda à esquerda do PS só tem bons resultados quando é garantido que o PS ganha (1999, 2005 e 2009). Quando a vitória do PS está em dúvida (2002 e agora), anteriormente o PCP e presentemente o Bloco vêm por aí abaixo. Há um potencial eleitorado destes dois partidos que, apesar de naturalmente votar neles, claramente prefere o PS no poder. E não há maneira de estes partidos perceberem isso, sendo que o Bloco, cujo “núcleo duro” ou “eleitorado mínimo garantido” é muito inferior ao do PCP, é quem mais se prejudica por esta atitude.