terça-feira, 28 de junho de 2011

O divino Rui escreve direito por linhas muito tortas

Apesar das suas explicações, creio que o Rui Tavares fez mal em mudar para um grupo diferente daquele de que implicitamente anunciou que iria fazer parte, ao integrar a lista do Bloco de Esquerda sem dizer nada em contrário. Compreendo as razões que levaram ao conflito do Rui com Francisco Louçã, mas acho que seo Rui não consegue permanecer no grupo para que foi eleito deveria demitir-se. As razões por que o defendo foram expostas claramente por Vital Moreira. Acrescento o exemplo de José Barros Moura, que ao abandonar o PCP demitiu-se do lugar de deputado ao Parlamento Europeu que conquistara integrado numa lista partidária, por considerar que estavam alterados os pressupostos da sua eleição.
Aos que afirmam que, ao permanecer no cargo mas num outro grupo parlamentar o Rui está a cumprir melhor as expetativas dos que nele votaram, respondo que não sabia que o Rui Tavares tinha prometido cumprir o seu mandato fosse em que bancada fosse. Se fosse assim não teria votado nele. Acresce que a partir do momento em que se aceita que o Rui mude para os Verdes, também se teria de aceitar se mudasse para os conservadores.
De um modo geral creio que um deputado independente, como o Rui Tavares é, não deve entrar abertamente em conflito com o partido que o acolhe. Nesse aspeto este é um caso bem diferente, por exemplo, do da deputada Luísa Mesquita, que era militante do PCP. Luísa Mesquita era parte do partido (e não aceitou ser manipulada por este); o Rui Tavares não era parte do partido que o acolheu, não tendo demonstrado por este o respeito que devia (aqui refiro que não sou nem nunca fui militante deste partido). Pior: o Rui Tavares desrespeita o voto de muitos eleitores desse partido, tal como o PCP desrespeita quem em si votou ao substituir arbitrariamente Luísa Mesquita ou presidentes de Câmara.
Estou à vontade para defender este ponto de vista, por várias razões. No conflito que parece estar a ocorrer no Bloco de Esquerda, certamente prefiro o "lado" do Rui Tavares e do Daniel Oliveira (embora não concorde com esta atitude do Rui e receio que ela deite muito a perder). Votei no Bloco de Esquerda nas europeias, e por acaso até preferia que desde o princípio o Bloco fizesse parte do grupo parlamentar dos Verdes (é pena que não haja representantes desse grupo em Portugal). Certamente o facto de o Rui ser candidato ajudou ao meu voto (pelas qualidades que lhe reconheço, e não por ser amigo dele, que sou). Mas a verdade é que, desde que há Bloco, sempre votei no Bloco nas europeias. Eu voto em partidos. E, nas eleições europeias, é em partidos que se vota. Desejo felicidades ao Rui e espero continuar a poder votar nele no futuro, se for esse o caso. Mas neste caso acho que ele esteve mal.