segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Freak Show

Aqui no Texas descobrimos na sexta-feira que Rick Perry, o governador idiota que anda a falar de secessão desde que Obama foi eleito, fez um buraco no orçamento maior que o que o governador idiota Arnold Schwarzenegger tinha feito na Califórnia. Como? Baixando os impostos aos ricos.

Em Washington um dos novos congressistas republicanos – um idiota das berças que nunca deve ter lido um livro – anunciou a formação de um grupo de pressão para acabar com o National Endowment for the Arts, o National Endowment for the Humanities e a televisão pública.

Em Portugal os portugueses reelegeram o Cavaco. E eu estava a vê-lo a contorcer-se – ele contorce-se quando fala – e a prometer-nos que nunca se apropriou de um tostão que não merecesse, e o mundo apareceu-me como um daqueles espetáculos do P. T. Barnum, onde se pagava para ver mulheres com barba, anões a tocarem piano com os pés e fetos com quatro pernas.

No fim do dia, acho que os portugueses estão de parabéns: escolheram democraticamente quem querem que os governe e deram ao Cavaco e aos amiguinhos dele legitimidade redobrada para acabarem com a saúde pública e com as pensões de reforma, aumentarem os salários uns aos outros e reinstalarem um regime em que os ricos mandam, os pobres obedecem e a classe média – pequenina, feita de funcionários públicos e professores de liceu – dará provas quotidianas de respeitinho, que como se sabe é muito bonito. Se se queixarem, espero que Cavaco lhes saiba mostrar quem manda: com uma ajudinha dos gorilas da PSP. Não foram os portugueses que disseram que o Salazar era um homem honesto e trabalhador?