sábado, 1 de janeiro de 2011

A caridadezinha contra o Estado Social

Começa a ser recorrente no discurso de Cavaco Silva (tanto o candidato como o Presidente), a resposta às dificuldades sociais com o apelo à caridadezinha. Eu sei que no debate com Manuel Alegre (em que Cavaco apareceu estranhamente ao ataque), Cavaco tentou contradizer essa asserção. Mas na mensagem de ano novo, há poucos minutos, a seguir ao parágrafo da «coesão social» vêm cinco parágrafos de apelo à «sociedade civil» e ao «voluntariado». Nada sobre o reforço da capacidade de resposta do Estado Social. Eu sei, o homem é de direita. E assim o recorda: à pobreza responde-se com o banco alimentar e a paróquia, não com o rsi e a instrução.

É também notável que Cavaco, como também já acontecera na (dispensável) mensagem de natal, se dirija sistematicamente «aos portugueses», distinguindo apenas os que vivem cá e «os emigrantes». Jorge Sampaio não se esquecia de se dirigir também aos imigrantes, aos que para cá vieram viver e trabalhar e que portanto também são cidadãos desta República. Assim era mais cosmopolita e moderno do que o Presidente que temos.

E, bom ano para quem o puder ter.

Adenda: em circunstâncias semelhantes (campanha eleitoral), Sampaio abdicara da mensagem de ano novo.