quarta-feira, 6 de abril de 2011

Principal problema é dívida privada


As declarações do presidente do FMI são eloquentes: "o problema [de Portugal] não é tanto de dívida pública como de financiamento dos bancos e dívida privada". E confirmam algum alarmismo que surgiu na imprensa económica internacional em Novembro de 2010. Na altura foi publicado o gráfico acima, mas estranhamente manteve-se o silêncio sobre a nossa colossal dívida privada, 220% do PIB (ver abaixo, a nossa dívida pública não é das mais altas). O debate económico pautava-se pelo pensamento único, por homilias de comentadores muito comprometidos em que se culpava o Estado de tudo e, obviamente, os malandros do rendimento mínimo e os desempregados.
Espero que as declarações de Strauss-Kahn sirvam para que se comece a responsabilizar seriamente os excessos do sector privado, sobretudo o sector imobiliário e a banca. Um milhão de casas vazias em todo o país que representam muito dinheiro empatado em empréstimos inúteis e uma banca que não paga impostos como as outras empresas são anormalidades insustentáveis. Se a partir de 5 de Junho o novo governo não tiver coragem para combater este flagelo os 220% de dívida privada não irão desaparecer por passes de magia...

5 comentários :

  1. Aumentar o IRC dos bancos acho que é uma medida com que todos concordamos neste blogue. Cortar o crédito imobiliário, talvez também. E concordarias que é necessária uma coligação dos Estados periféricos da UE para mudar a UE?

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  2. Sim, ou então um Jacques Delors. Mas para voltarmos a ter um Jacques Delors se calhar vai ser necessário a UE eleger por sufrágio directo um presidente do conselho, um presidente da comissão e um Alto Representante da União para os Negócios Estrangeiros.
    Neste momento está tudo minado com o Sarkozy, a Merkel e o Cameron a escolherem figurinhas tímidas e secundárias. Não esquecer que a eleição de Barroso foi uma exigência do Blair pelo lambe-botismo à intervenção no Iraque.

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  3. Muita da dívida (corporate debt) aqui classificada como "privada" é, na verdade, dívida pública. É dívida de empresas públicas.

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  4. Rui, então estamos dependentes das eleições nos países do Directório, em que não votamos. Vais voltar a dizer-me que os soberanistas democráticos é que são os maus da fita europeia?

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  5. No esquema actual, as decisões tomadas no Conselho Europeu não são sujeitas a nenhum voto, nem europeu nem nacional, estão quando muito sujeitas a voto do PE nalgumas matérias. Infelizmente no que respeita ao euro, o PE manda pouco ou nada.

    Lavoura:

    as fatias de leão da dívida privada são: banca (como refere o S-K), imobiliário e energia (basicamente importação de petróleo). Na energia há uma parte da EDP e da Galp que são do estado. Mas não justifica os 220%. Um milhão de casas vazias. Faz as contas à dívida que isso representa...

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