quinta-feira, 14 de abril de 2011

E agora?

roubado ao Krugman

O gráfico mostra os custos nominais do trabalho nos PIIGS e na Alemanha. Na realidade desde 1999, ano em que os câmbios foram fixados, em diante são também os custos nominais são também os reais. Mesmo de 1995 a 1999 os câmbios pouco variaram. Dado este gráfico há pouco a acrescentar sobre o crescimento das exportações alemãs, e os défices comerciais do Sul.
A falta de flexibilidade para ajustes dentro do €uro, era umas das principais críticas ao projecto da moeda única. Uma das principais vantagens em teoria, o Sul ter acesso a taxas de juro iguais às do Norte o que seria um enorme incentivo ao investimento, acabou por resultar em forte endividamento privado e não tanto em investimento.
Olhando friamente para os últimos 12 anos - e para os 12 vindouros - e não apenas para as notícias do momento, admito que cada vez mais me convenço que foi um erro Portugal ter aderido ao €uro.

9 comentários :

  1. "acabou por resultar em forte endividamento privado e não tanto em investimento"

    Pois. O problema é que, tal como já vi num gráfico algures, a taxa de rentabilidade (retorno) do capital (investido) é, em Portugal, baixíssima, muito mais baixa do que em quase todos os países da Europa. Não sei a que se deve isto, mas o facto é que se lucra mais investindo num qualquer país da Europa do que investindo em Portugal. Perante uma tal realidade, a queda da taxa de juro não conduz, como a economia clássica prevê, a um aumento do investimento produtivo, mas, quanto muito, apenas a um aumento do investimento especulativo e/ou do crédito ao consumo.

    Se alguém puder colocar aqui o gráfico sobre as taxas de rentabilidade do capital investido, por país, agradeço. Se também alguém me puder explicar o que possa ser feito para aumentar essa taxa em Portugal, ainda melhor.

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  2. (Já agora, note-se que, na teoria económica clássica, apenas existe investimento produtivo. Segundo essa teoria, a baixa da taxa de juro influencia, basicamente, a apetência dos empresários por investir. Na economia clássica não existem esses dois fenómenos que caraterizam a atualidade, o investimento especulativo e o crédito ao consumo.)

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  3. Luís Lavoura desconheço esse gráfico, e tenho alguma curiosidade em vê-lo. Especialmente porque o intensidade de capital por trabalhador em Portugal é estupidamente mais baixa do que no resto da UE15.

    Uma correcção: em "economia clássica", nem a compra de activos finaceiros nem o crédito para consumo são considerados investimento.

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  4. a questão é quem quer investir

    não é uma questão de falta de produtividade

    é de mentalidade

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  5. a indústria começou em muitos sectores a fugir

    porque honrar contratos e dívidas é muito difícil

    e aparentemente vai continuar

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  6. Quem falasse em o euro ser um «erro», há apenas um ano, seria tratado de «eurocéptico», «ultrapassado» e suspeito de nacionalismo ou estalinismo.

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  7. Ricardo,
    não iria tão longe, o Ferreiro do Amaral desde o 1998 que sempre foi bem claro a criticar a arquitectura do Euro. Mas sim, era uma voz isolada.

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  8. Se foi um erro ou não aderirmos ao euro não é a questão mais importante. Neste momento a questão mais importante é se lá devemos continuar.

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  9. Miguel,
    havia outras vozes a criticar o euro. Politicamente, as mais à esquerda. Embora a partir de petições de princípio e com referências ideológicas pouco congruentes para a crítica do europeísmo.

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