quinta-feira, 8 de julho de 2010

Concordo com Vasco Graça Moura

  • «Pode-se estar a atravessar a mais profunda das crises, podem ocorrer as piores catástrofes, podem dar-se as desgraças mais sinistras, que nada ultrapassa a importância do que vai acontecendo com clubes, treinadores, jogadores, árbitros, ligas, transferências, competições, lesões, meniscos e mais coisas assim. Ninguém pestaneja quando são referidos valores milionários. Ao contrário do que sucede quanto aos gestores das grandes empresas públicas ou privadas, não consta que alguém vocifere nos areópagos políticos ou sindicais a criticar quaisquer exageros na matéria, nem sequer que alguém exija medidas fiscais adequadas aos rendimentos astronómicos em causa.» (Vasco Graça Moura no Diário de Notícias)
Se há algo que me mete confusão no impacto mediático e social do futebol, é que por entre as horas que se passam a discutir se a bola entrou ou não entrou, se foi «fora de jogo» ou «dentro do jogo», se o Ronaldo é bom da cabeça ou só de bola, ninguém se lembre de inquirir pelas declarações de IRS dos jogadores, ou de exigir medidas que taxem adequadamente os rendimentos dos futebolistas nas suas diversas formas (salários, prémios de jogo, transferências, etc). Tantos jornalistas dedicados ao «fenómeno», horas de televisão e jornais inteiros dedicados à coisa, e não há um jornalista que se dedique a investigar se os valores declarados correspondem aos anunciados nas parangonas dos jornais? E é para não falar das lavagens de dinheiro, das situações de lenocínio e de outros crimes adjacentes a essa indústria. Ou do dinheiro deitado à rua que foi a construção de «elefantes brancos» como o estádio do Algarve.