sexta-feira, 9 de novembro de 2007

o problema...

N. Klein, The Shock Doctrine, p. 134: "For all these reasons [Milton] Friedman had spent a fair bit of time staring down an intellectual paradox: as heir to Adam Smith’s mantle, he believed passionately that humans are governed by self-interest andthat society works best when self-interest is allowed to govern almost all activities – except when it comes to a little activity called voting. Since most people in the world are either poor or live below the average income in their countries (including in the U.S.), it is in their short-term self-interest to vote for politicians promising to redistribute wealth from the top of the economy down to them."

Este problema tem sido resolvido pelos neocons de duas maneiras: com ditaduras (como a chilena) e com propaganda populista: medo (dos imigrantes, dos terroristas, etc.), guerra (que une as pessoas à volta dos caciques), ou religião e ideologia (aqui muitos preferem ser pobres do que viverem num mundo em que os homossexuais tenham direitos).

Por isso se diz aqui que um sítio muito frio e muito escuro é "dark and cold as a republican's hart." :o)

14 comentários :

nelzon disse...

"Since most people in the world are either poor or live below the average income in their countries"

Como é que a maior parte das pessoas pode viver com o menos que o rendimento médio ? A frase é, no mínimo, cretina !

Por definição, a maior parte das pessoas vive com o rendimento médio. É uma coisa chamada matemática, não sei se conhecem.

Tárique disse...

O comentário do Nelzon é tão atrasado mental e jactantemente ignorante que não consigo resistir a aproveitar este espaço para gozar com ele: Ó palhaço vai aprender matemática do non ano pá!

Por definição, a maior parte das pessoas vive com o rendimento médio. Falso: a maior parte das pessoas vive com o rendimento MEDIANO (que nos EUA é 20 000$/ano abaixo do médio)

Como é que a maior parte das pessoas pode viver com o menos que o rendimento médio Porque, como qualquer pessoa com QI superior a 70 sabe, a curva de distribuição de riqueza não é simétrica!!!!!!!!!!

nelzon disse...

Tarique,

Tem razão. É o que dá comentar a quente.

nelzon disse...

Mas então, e correndo o risco de levar na cabeça outra vez, qual é o problema de muitas pessoas viverem com menos do que o rendimento médio, dado que a média é (como se viu) um péssimo estimador ?

Tárique disse...

tb terei comentado a quente ... tomei-o por um qualquer arruaceiro neocon ... desculpe lá qq coisinha

A última questão é lícita. Para lhe responder peço-lhe que se ponha na posição de um venezuelano, auferindo um rendimento mediano (ou seja, abaixo da média)

Nelzon sabe que o seu país é rico em recursos, e sabe que há uma minoria da população que usufrui destes enquanto o Nelzon, a sua família, e a maioria das pessoas que conhece passa necessidades.

Agora imagine que aparece um Chavez candidatando-se às eleições que lhe promete redistribuir em pouco tempo a riqueza, fazendo com que o Nelzon e a maioria da população tenha acesso a educação e saúde para os seus filhos. Lembre-se, caro Nelzon venezuelano, que na sua situação está a maioria dos venezuelanos (definição de mediana, não é? )

Agora pense que a alternativa a chavez é alguém que acha que não deve intervir no mercado, que deve deixá-la seguir o seu rumo natural.

Ou seja tem que escolher entre alguém que quer usar o Estado para fazer balançar o mercado a favor do Nelson, e alguém que quer deixar o mercado pender para onde calhar naturalmente.

Agora imagine-se numa cabine de voto com a hipótese de escolher entre as duas.


ps: é também interessante fazer o mesmo exercício nos sapatos de um russo, cuja alternativa a putin são os amigos ocidentais do Banco Mundial, que recomendou este ano subir a idade da reforma até aos 68 aos, quando a esperança média de vida na Rússia são 65.

Tárique disse...

Vale a pena explorar (atenção à escala , que é logarítmica)
http://www.gapminder.org/downloads/applications/income-distribution-2003.html

nelzon disse...

Não deixa de ser chocante que tendo a Venezuela petróleo para dar e vender, existe pobreza aos niveis que se conhecem.

Mas no caso dos recusos naturais, tê-los não basta. É necessário ser capaz dos recolher e vender ao estrangeiro. E no caso do petróleo venezuelano isso significa investimentos que demoram alguns anos a pagar.

A não ser que algum ricalhaço decida pagar do seu próprio bolso meia dúzia de plataformas petrolíferas a troco de uma estátua no centro da capital, o petróleo vai ficar onde está: debaixo do mar.

nelzon disse...

Eu não sou um neocon arruaceiro, mas também não morro de amores pelo socialismo ou pelo Chavez.

De acordo que redistribuição da riqueza, em parte deve ser feita através dos impostos. Agoram há formas e formas de o conseguir.

O que Chavez propõe é a subsiodependência e corrupção ao concentrar a gestão dos recursos do país nas mãos do governo. Antes estava nas mãos de alguns poucos. O povo, esse, nunca lhe sentiu o cheiro.

Filipe Castro disse...

:o) Tantas asneiras! imaginem nós os tres dentro dum elevador com o Bill Gates. O nosso rendimento médio era altíssimo, mas os nossos rendimentos pessoais continuavam um bocado abaixo da media... :o)

Filipe Castro disse...

Eu queria dizer "heart" :o)

David Lourenço Mestre disse...

Fico com a sensação que o Castro pertence à classe media. Pergunto-me como ante tamanha infâmia não opta pela fuga do inferno neoliberal que lhe dá diariamente cabo dos direitos? É acaso sadomaosoquista?

Você sabe muito bem porque não foge, a classe media a que pertence é uma classe priveligiada, dispensa complacência e regalias imbecis. Comentários acima afirmava chocado e boquiaberto que os safados lhe devolviam impostos. Como vê é a abjecção em corpo trinta pertencer à classe media.

Se falar nos miseráveis, então sim, um país prospero e com 4 por cento de desemprego deve garantir o mínimo, a começar pela dignidade

"O Inglaterra está mais rica. Mas o que é que interessa à classe média que os ricos estejam obscenamente rico"

Essa converseta cheira a leguas a portuguesismo.

Francamente estou olimpicamente nas tintas e a cagar como gente grande para o que o cristiano ronaldo ganha, só peço - nao é o que todos nós pedimos - os privilegios da burguesia ou da classe media

panúrgio disse...

há quem, nesta altura, ainda não tenha percebido que os recursos não são infinitos. e continue a ignorar que também há seres humanos no hemisfério sul e não apenas matérias-primas

Tárique disse...

Francamente estou olimpicamente nas tintas e a cagar como gente grande para o que o cristiano ronaldo ganha, só peço - nao é o que todos nós pedimos - os privilegios da burguesia ou da classe media

Se V.Excia perntencesse à classe miserável que se arroga pertencer, e lhe aparecesse um qualquer Chavez a dizer que vai roubar uma limusine ao Cristiano Ronaldo para lhe dar de comer a si, à sua família, e a todos os seus amigos, gostava de ver se cantava a mesma musiqueta neo-liberal.

David Lourenço Mestre disse...

Eu nao pertenco a nenhuma classe, sou estudante, estou em campo indeterminado.

O caminho que a "venezuela" segue, nao é novo, chavez nao é o primeiro a prometer o mel e o leite da terra prometida.

Pasme-se, mais de 20, 30, 40 paises conheceram pessoalmente a cantilena chavista e nao há memoria de um unico pais que tenha conhecido sucesso ou afirmar-se como pais prospero muito menos como o paraiso terreno da musiqueta do socialismo utopico

Aquilo que chama de "musiqueta neo-liberal" é o que a esmagadora dos cidadaos comuns cantam.

Saia à rua e conheça a especie, o que vê nas alamedas virtuais, lamento, tem muito pouco a ver com as almas terrenas. As pessoas comuns pedem um bom salario, boas condiçoes de vida, saude, carro, educaçao para os filhos, casa, bens desnecessarios, so on and so forth. É assim a humanidade, eu pertenco a ela, conheco apenas pessoas comuns na vida real e é isto que elas representam e pedem, e desejam