sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Eu, o Sócrates, e a crise - III

À esquerda do PS, Sócrates sempre seguiu políticas neoliberais, comandado pelos mercados, e pela ideologia capitalista dominante. É portanto uma justa ironia que sejam esses mesmos implacáveis e vorazes mundos da especulação e da economia de Casino a abater-se sobre um inocente país como o nosso.

Sócrates é culpado, não apenas pelas políticas de direita que seguiu, mas por não fazer agora frente aos especuladores e ao capital, mas ao invés submeter-se à vontade dos mercados, liderando a aplicação de políticas recessivas que vão afectar os mesmos do costume, e levar o nosso país para o abismo.

A explicação é simples: com menos investimento público, menos receita; com menos receita, menos condições para pagar; com menos condições para pagar, menos investimento. E assim a nossa ruína nunca cessará. Há que fazer frente aos mercados.


Também discordo, na generalidade, desta perspectiva.

É verdade que Sócrates é um político de centro. Começou a sua carreira política na JSD, e mesmo no PS nunca fez parte da chamada ala esquerda. É verdade que as suas políticas foram políticas de centro. Na saúde e administração pública começou mais à direita, na política científica e energética esteve mais à esquerda... Enfim, criticar-lhe pela esquerda dizendo que seguiu políticas de direita está longe de ser absurdo.

Mas, confrontado pela crise (e provavelmente por estar em vésperas de eleições, necessitando de captar o eleitorado à esquerda), Sócrates reagiu quase da forma mais à esquerda que seria razoável esperar naquelas circunstâncias.

Porque era, de facto, a solução mais inteligente (quer no plano eleitoral, quer por ser melhor para o país enfentar a crise), Sócrates aumentou o investimento público, aumentou significativamente o salário da função pública, aumentou os apoios à pequenas e médias empresas, e por aí fora.

Mas os juros subiram significativamente, e aquilo que era uma boa escolha para o país no longo prazo, tornou-se entretanto uma escolha proibitiva. Proibitiva porquê? Porque se Sócrates não pagar as dívidas arrasará a nossa economia de uma forma bem mais gravosa do que a retracção que pretende efectuar através de cortes e novos impostos.

Se Sócrates se endividar mais para pagar as dívidas e «dinamizar a economia», os juros são suficientemente altos para que a capacidade para pagar essa dívida no futuro diminua (mesmo assumindo que é bem sucedido na dita dinamização), o que leva ao efeito auto-referencial do aumento dos juros que levará a menor capacidade de pagamento, e por consequência aumento dos juros, etc.. Este efeito é actualmente mais perigoso para a economia que os efeito previsto da retracção dos novos cortes e impostos.

É fácil negar esta realidade sem contas nem responsabilidades governativas, ou perspectivas de as vir a ter. Podem defender-se medidas insustentáveis, mas demagógicas. E muito daquilo que leio nas críticas à esquerda do PS cai perfeitamente nesta categoria.

No próximo texto desta série explicarei porque é que planeio não votar PS nas próximas legislativas se Sócrates for o seu cabeça de lista.

3 comentários :

mikael ar canjas disse...

planos....

eu o sócrates e o plano

isso denota cumplicidades?

mario rotama torga xinsulim disse...

a propósito da testabilidade das teorias científicas
by treta via
a teoria dos quartetos de cordas é testável?
inda num percebi que raio de bolseiro ou assistente é voismecê
und the string singularities?
هذي نهاية
وبداية البداية

é o começo dos começos ou o princípio dos fins?

new observations that provide direct evidence: cosmic
superstrings?????

new observations that provide indirect evidence:
supersymmetry or branes at the LHC??
new insights into nature of non-perturbative string theory

e até hoy ...

الرجل ذبح بعضهم البعض ولكن الخيول باهظة الثمن disse...

não há ainda medidas do governo sombra da esquerda republicana?

o consumo das reformas mais altas é baixo com excepção com bens de luxo
e raro é o capital dessas reformas que fica no país
ver Carlos Cruzismos na Nova Zelândia

cortar nas reformas acima de 5000 euros que representam apenas
700 milhões de euros
em mais 5 a 10% não resolveria nada
mas seria um gesto simbólico

similar aos 50 institutos sacrificados

Sócrates existiu porque as suas clientelas o subiram a tal lugar

se ele as deixar cair
cai-lhe muito mais que o cargo
muitos papéis desaparecidos
podem reaparecer

e tal como os Fujimori's e outros no passado bodes expiatórios estão em falta

e votar para dar mais poder a demagogos de esquerda ou direita

e viabilizar uma nova remessa
de portugueses egotistas e
cheios dos seus direitos
e esvaziados dos seus deveres

como a maioria da população...
de quem são filhos e dignos representantes