quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Eu, o Sócrates, e a crise - I

Nas últimas eleições votei no PS. Hoje, se Sócrates se voltasse a candidatar, não votaria nesse partido. Nesta medida a minha posição, a avaliar pelas sondagens, não é muito original.

No entanto, as razões que me levam a ter esta posição são, sem dúvida, bastante diferentes.

À direita e à esquerda muitos têm razão de queixa das «políticas do PS» nos últimos anos.

À direita do PS acreditam que o governo PS se endividou em excesso, não consegue controlar a despesa, e que por isso estava impreparado para enfrentar esta crise. «Quem semeia ventos colhe tempestades» e o governo está agora a colher as tempestades que semeou. Eles bem avisaram que não nos deveríamos meter em mega-projectos, que deveríamos diminuír severamente as despesas. O resultado está à vista.

À esquerda do PS acreditam que o governo PS seguiu políticas neo-liberais, comandado pela vontade dos mercados. «Quem pela espada vive, pela espada morre», e é de uma ironia justa que sejam agora os mercados a afundar os países que seguiram pelo delírio neoliberal como a Irlanda e a Islândia. Se Sócrates se quer submeter aos mercados, a culpa desta crise é dele e das suas políticas de direita.

Discordo de ambas as perspectivas. Nos próximos dois textos explicarei porque é que discordo, e no seguinte explicarei o que me levaria a recusar o meu voto num PS que mantivesse Sócrates como cabeça de lista. De seguida escreverei sobre aquilo que acredito que um governo deveria fazer para lidar com esta crise.