segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Emissões de CO2 e a acidificação dos oceanos

Num artigo de revisão intitulado “Ocean acidification: a millennial challenge” publicado recentemente na revista científica Energy & Environmental Science, os investigadores Matthias Hofmann e Hans Joachim Schellnhuber concluem que as consequências do aumento da acidez dos oceanos poderão tornar-se irreversíveis caso as emissões de dióxido de carbono (CO2) ultrapassem os 1000 Pg (Pg = 1015g) no período entre 2000 e 2049. O artigo alerta também que o excesso de CO2 reduz a produção de gases marinhos que contribuem para a formação de nuvens sobre os oceanos. A formação de menos nuvens diminui o poder de reflexão da radiação solar, amplificando o aquecimento global através de um efeito de realimentação positiva. Perante estes resultados, os autores relembram que estamos perante um forte motivo para actuar e reduzir o mais rapidamente possível as emissões de dióxido de carbono.

A acidificação dos oceanos é um assunto relativamente novo, embora tenha vindo a ser estudado há mais de 20 anos. Em 2008, a comunidade científica europeia juntou-se em torno do projecto EPOCA (European Project on OCean Acidification) e um consórcio de organizações internacionais que engloba a ONU tem acompanhado a evolução da acidificação dos oceanos. Este consórcio reunido sob o nome Ocean Acidification publicou em 2009 um importante documento de informação e orientação política para combater as consequências da acidificação dos oceanos.

O aumento de acidez da água dos oceanos diminui a taxa de calcificação de organismos que produzem conchas, carapaças e esqueletos de calcário, tais como os moluscos e os corais e afectam também a base da cadeia alimentar dos oceanos: o plâncton. Desde 1750, a acidez média dos oceanos aumentou em cerca de 30%. Este aumento resulta da emissão de CO2 para a atmosfera, produzido pela actividade humana desde o início da era industrial. Os cerca de 25 milhões de toneladas de CO2 que se combinam por dia com a água dos oceanos produzem ácido carbónico que faz baixar progressivamente o pH dos oceanos. Desde 1750, os nossos oceanos absorveram cerca de um terço do CO2 emitido pelo homem diminuindo o pH médio da água de 8,16 no início do século XIX para 8,05 no século XXI. Estima-se que o pH poderá descer para 7,6 em 2100 se forem mantidas as taxas actuais de emissão de CO2.

Aviso à navegação
Para os que acham que o aquecimento global não existe ou não está suficientemente fundamentado aconselho uma leitura ATENTA do Relatório do IPCC de 2007. Convido-os a contrariar as conclusões principais do que lá está com publicações científicas e não com referências a blogues, vídeos do youtube ou a publicações generalistas. Chamo especial atenção para os capítulos onde se fala da influência do Sol, do vapor de água, para os vários trabalhos (não é só um) sobre o chamado taco de hóquei, já para poupar aqui discussões fora de prazo sobre alegadas teorias alternativas acerca destes aspectos.