terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

O governo quer escutar as nossas conversas telefónicas

Alberto Costa continua a sua campanha pelo direito governamental a escutar as conversas telefónicas de cidadãos que não cometeram qualquer crime. O argumento é delicioso: como o poder judicial tem o poder de ordená-las, o poder político também deve ter esse poder. É toda uma nova concepção de «checks and balances»: eu escuto-te a ti, tu escutas-me a mim. Pinto Monteiro pode escutar Sócrates, Sócrates quer escutar Pinto Monteiro. Pelo meio, o securitário Costa lá agita o espantalho do terrorismo. Faz mal: se da Tunísia e do Egipto saírem regimes democráticos e laicos, a famigerada «guerra contra o terrorismo» terá os seus dias contados. Até um dos maiores patronos do terrorismo (mas de outras eras...), o senhor Khadafi/Cadáfi, está à beira da reforma compulsiva. Ficará muito mais difícil justificar o desperdício de meios financeiros dos últimos anos, com um aumento de 65% no orçamento SIS+SIED (entre 2005 e 2009), se e quando os «terroristas» forem a votos e perderem. Nessa altura, vão dedicar-se a quê? A escutar as conversas dos líderes da oposição? Ou já o fazem?