terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Eternamente Amado

Todos os analistas políticos concordam que, este ano, as celebrações da «revolução» líbia serão bastante diferentes do habitual. No 41º aniversário da ditadura, há cinco mesitos apenas, a estrela da noite foi um tal  de José Sócrates. Só três democracias estavam representadas ao nível de Presidente ou Primeiro Ministro: Malta (que é da vizinhança), a Sérvia (ok, uma «democracia») e Portugal. Não faltavam ditadores africanos (como Ben Ali da Tunísia), para o que foi uma não anunciada festa de despedida.

Eu sei, a política real, os negócios e tal. Mas Kadhafi/Cadáfi/Gadafi, ao contrário de Ben Ali ou Mubarak, não fingia estar a democratizar o regime, e todos sabíamos que era (e ainda é) um louco furioso, com uma longa história de apoio ao terrorismo e capaz de matar o próprio povo. Um pouco menos de cinismo e um pouco mais de inteligência teriam sido atitudes avisadas. A real politik tem os seus novos ricos precipitados.

Como se não bastasse, o desastre Amado fez hoje a sua enésima figura triste, quase lamentando que estejam em queda regimes com os quais havia «boa vizinhança», e queixando-se da «simples leitura ideológica em torno da democracia e dos direitos humanos». Ah, o realismo, tanto realismo. Quando os mortos chegarem aos milhares, o inefável Amado manterá o seu «realismo»? E Sócrates o seu silêncio? Para quando uma diplomacia portuguesa de que nos orgulhemos?

Há quem não fique bem nesta fotografia.

6 comentários :

  1. Um crente na revolução permanente é um excêntrico e não um louco

    Apegado ao poder, decerto

    Megalómano em algumas coisas

    Terrorista como os minutemen americanos?
    provavelmente

    tirando isso

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  2. é sempre fácil ser moralista quando não tem que se "baixar as calcinhas" à realpolitik. mas, da esquerda à direita, não há actor político que não tenha já sujado as mãos (eventualmente para mais tarde se arrepender). a crítica certeira deve ser ao que se vai passar daqui para a frente.

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  3. mais ainda, lendo a declaração de amado:

    http://www.tsf.pt/PaginaInicial/Internacional/Interior.aspx?content_id=1790706

    pode não ser a posição ideal, mas é algo ponderada sem ser aberrante...

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  4. Se queriam ser cínicos e fazer real politik, podiam ter sido mais prudentes e ter evitado tirar fotografias na tenda do facínora, ou, pior ainda, ter participado nas celebrações do aniversário da ditadura. É que uma coisa é ser cínico, outra é ser parvo.

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  5. E mais, nesta fase poderiam admitir o erro que cometeram e criticar Cadáfi/Kadhafi com um mínimo de veemência. E Amado faz o contrário.

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  6. Curiosamente, já tínhamos discutido neste blogue a atitude da diplomacia portuguesa face à Líbia:

    http://esquerda-republicana.blogspot.com/2009/09/e-que-tal-discutirpolitica.html

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