quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Sobre o ataque a reguladores e ao parlamento

O livro de "The Best Way to Rob a Bank Is to Own One" (University of Texas Press, 2005) de William K. Black é um verdadeiro manual sobre as artimanhas do sector financeiro para pôr fora-do-jogo eleitos e reguladores. No final dos anos 80, o contribuinte americano pagou um preço altíssimo pela desregulação do sector financeiro, graças à castração do poder dos reguladores e dos eleitos políticos. Sem escrutínio, o sector bancário usou e abusou de esquemas fraudulentos que produziram prejuízos pesadíssimos pagos posteriormente pelo contribuinte.

O caso BPN já nos custou 5 mil milhões de euros injectados na CGD (o maior investimento público de sempre). No entanto quase nada foi feito para reforçar a regulação do sector financeiro, como aumentar o número de efectivos das entidades reguladoras, de preferência bem pagos para estarem mais imunes a actos de corrupção. Ou ampliar os poderes de fiscalização do parlamento. Quando se ouve Jorge Lacão a pedir uma redução do número de deputados superior a 20% simultaneamente com a redução dos vencimentos das entidades reguladoras, parece que estamos a assistir à sequela do livro de William Black. Na sua obra, Black (um regulador) descreve com detalhe como este tipo de ideias era proposto por políticos americanos não eleitos, geralmente após uma noite regada de champanhe em veleiros cheios de acompanhantes de luxo pagas pelos bancos.

2 comentários :

  1. O que é, precisamente, uma "acompanhante de luxo"?

    É uma acompanhante que se veste com casacos de peles?

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  2. É uma prostituta que vê um custo de oportunidade na hipocrisia do cliente.

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