quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Subcomandante Louçã

Ainda o Bloco dava os primeiros passos e uma militante de base me contava que na freguesia dela, uma freguesia urbana onde o Bloco tem mais implementação, havia algumas pequenas querelas pessoais para decidir o candidato à junta.
Mais recentemente tivemos o tirar de tapete a Sá Fernandes, problemas com a justiça da única autarca do BE, a falta de consulta interna sobre o apoio à candidatura de Manuel Alegre, os obstáculos colocados à oposição interna quando esta quis convocar uma convenção nacional, etc. O Bloco era um partido que até há pouco fingia não ter um líder claro na sua hierarquia e ainda só tem um "coordenador da comissão política", apesar de Louçã ser o político que há mais tempo está à frente de facto de um dos 5 maiores partidos e da sua foto estar omnipresente na página do Bloco.
O recente anúncio da moção de censura provou ao mais ingénuo, ferrenho e distraído militante do Bloco que o Bloco é um partido como todos os outros, não só pela jogadinha política implícita no anúncio mas pela decisão ter passado ao lado da Mesa Nacional do partido (o que já levou a várias demissões).
Não vejo isto como algo grave, antes pelo contrário. Talvez deixe a altivez e contribua para convergências à esquerda.

6 comentários :

  1. "Não vejo isto como algo grave, antes pelo contrário. Talvez deixe a altivez e contribua para convergências à esquerda."

    !!!

    Quer dizer, o Miguel Carvalho advoga "convergências" com uma entidade que (segundo o seu post) não é democrática e pratica culto da personalidade?

    E, pergunto, que valor prático têm "convergências" com uma tal entidade, que, pelos vistos, se encontra em semi-decomposição?

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  2. Luís,
    de facto fiquei a pensar que a frase não ficou clara.
    Claro que são situações graves, que infelizmente ocorrem nos outros partidos.

    O que queria dizer era que não é grave que o Bloco seja um partido como os outros (PCP à parte, claro). A minha simpatia para com o BE até cresce à medida que os bloquistas vão aceitando essa ideia.

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  3. Não sei exactamente qual é a esquerda de que escreve. Vejo três partido mais divergentes entre eles que o PSD e o CDS.
    Em todo o caso para dizer que este moção foi um autêntico tiro no pé, até porque o BE não tem o eleitorado do PCP em que primeiro o comité manda e depois os "cidadãos esclarecidos" obedecem - como na primeira eleição de Mário Soares.
    Mas honra seja feita ao BE, dificultou a vida ao Passos Coelho.

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  4. "pequenas querelas pessoais para decidir o candidato à junta". Problemas com a justiça sem condenação? tirar o tapete ao Sá quando foi este a meter a pata na poça? Quanto à democracia interna, é a que está assegurada nos estatutos. Não conhece a FER e a liberdade que tem na tomada de posições independentes, mesmo da Mesa de que fala?
    Por favor, se isto é um argumento, ou se esses são os argumentos, está tudo dito.

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  5. «Não conhece a FER e a liberdade que tem na tomada de posições independentes»

    E a quantidade de truques de secretaria para prejudicar a FER ao ponto desta estar em vias de abandonar o BE?

    A rotatividade dos deputados acabou quando este movimento atingiu dimensão para, de acordo com as regras até aí, fazer chegar um seu representante ao parlamento.

    E esta foi uma de muitas...

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  6. Pergunte a alguém da FER se esles estão satisfeitos com a "liberdade de movimentos" no BE...

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