segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Lata não lhe falta...

O cromo que actualmente fala pela conferência episcopal portuguesa, Jorge Ortiga de seu nome, não se coíbe de lamentar a «crise» e a «austeridade», de apelar a que «as classes mais desfavorecidas sejam menos penalizadas e mais ajudadas» e de criticar os «interesses instalados nas estruturas público-privadas», para logo de seguida pedir mais dinheiro para as «escolas particulares», as tais em que 44% dos alunos são pagos pelo Estado, e que não são propriamente conhecidas por abrir a porta aos «mais desfavorecidos».

Descaramento não lhe falta. E, num país em que tudo depende do Estado, até o que supostamente seria privado tem que ser pago pelo Estado. Mesmo em época de crise...

7 comentários :

  1. E, num país em que quase tudo (não se exagere) depende do Estado, até o que supostamente seria privado tem que ser pago pelo Estado, se foi o estado que o quis

    O estado são os funcionários que o servem, o estado não sou eu, nem é sócrates
    e o seu nome é legião

    ResponderEliminar
  2. As escolas privadas cujos alunos têm as propinas pagas pelo Estado têm que, por convénio com o Estado, abrir a porta a todos os alunos. Nao podem rejeitar alunos.

    Está pois errada a frase "as «escolas particulares», as tais em que 44% dos alunos são pagos pelo Estado, e que não são propriamente conhecidas por abrir a porta aos «mais desfavorecidos»".

    ResponderEliminar
  3. Não sei se é assim tão simples, Luís Lavoura. Os contratos de associação significam que o Estado «empurra» alguns alunos para as escolas privadas. Não significam que qualquer aluno pode ir bater à porta de uma escola privada, mesmo que essa tenha contrato de associação.

    ResponderEliminar
  4. não conheço todos os casos mas assim de repente lembro-me de um contra-exemplo sobejamente conhecido por abrir as portas preferencialmente aos "mais desfavorecidos".
    ainda que assim seja em lisboa, que não é o mundo nem ideia que eu possa confirmar.

    se era preferível que o estado investisse mais na pública e não houvesse necessidade de parecerias, isso, já é outra história.

    ResponderEliminar
  5. a tua imagem do colégio católico ser para "ricos" não corresponde à realidade do país. por exemplo, o meu "sobejamente conhecido", nesse caso que me veio à cabeça, aplica-se a aveiro. acho que em 2007 fecharam a escola primária [pública] local.

    mas haverá mais casos.

    ResponderEliminar
  6. DP,
    o caso a que te referes é um daqueles em que fecharam a escola pública e depois pagam à privada para receber os alunos da pública. Essas são as parcerias público-privadas que ficam caras ao Estado, mas que dão dinheiro aos privados. Seria melhor construir uma escola pública.

    ResponderEliminar

As mensagens puramente insultuosas, publicitárias, em calão ou que impeçam um debate construtivo poderão ser apagadas.