sábado, 6 de novembro de 2010

Passos Coelho quer mandar Alberto João Jardim para a prisão

Passos Coelho acha que «aqueles que são responsáveis pelo resvalar da despesa também têm de ser civil e criminalmente responsáveis pelos seus atos e pelas suas ações». É certo que menciona «aqueles que estão nas empresas privadas» para além dos que «estão no Estado», mas a mensagem parece ser que os políticos que anunciam que «a despesa devia ser de 100 e ela foi de 300» devem ser metidos na choça.

Esta fantástica ideia é típica da demagogia mais extremista, mas não foi emitida nem por um taxista, nem à mesa do café depois de oito rodadas de imperiais. Saiu da cachimónia do líder do maior partido da oposição e foi publicitada num encontro partidário que não era do PNR, era do PSD.

Palermices destas, regra geral, não devem ser levadas a sério. Ninguém imagina a Assembleia da República, mesmo com uma maioria PSD, a sentar-se a escrever uma lei que preveja penas criminais exclusivamente por «má gestão» para políticos eleitos. Mas mesmo a demagogia mais desmiolada deve ser levada a sério, nem que seja por cinco minutos, antes que fiquemos todos loucos ou insensíveis ao disparate. Imaginemos então: um ano de prisão por ultrapassar o OGE em 50%; dois anos de prisão por o ultrapassar 100%; etc; uma alínea que preveja que os desastres naturais são atenuantes; imagino que Passos não quereria que as especulações da finança internacional fossem atenuantes.

A ironia é que o primeiro a dar com os ossos na choça, se esta genial ideia de Passos fosse aplicada, seria Alberto João Jardim, a quem não faltam condenações do Tribunal de Contas.
Enfim, fantasias populistas. Mas que o indivíduo que os disparates de Sócrates ainda podem tornar primeiro ministro resvale abertamente para o mais desbragado populismo não augura nada de bom para a saúde da democracia...

3 comentários :

  1. até agora PPC não tinha tido grandes devaneios demagógicos, e eu respeitava-o por isso.
    esta está ao nível do berlusconi quando disse queos deputados não trabalhavam

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