quarta-feira, 24 de novembro de 2010

A greve e a ciência

Circulou uma petição onde auto-intitulados “trabalhadores da ciência” manifestam o seu apoio à greve geral. O texto da petição até está bem escrito; reconhecendo o muito investimento que tem sido feito em ciência, mas que nem por isso a greve deixaria de se justificar: é uma greve geral, e não setorial, e os motivos também são gerais, de todos os trabalhadores, e não somente dos de ciência. O título é que é absolutamente desastroso.
“Dia 24 fechamos os livros”, dizem eles. Bem, podem estar a falar literalmente ou do trabalho.
Se fosse interpretar tal declaração como literal, diria que é um disparate: todos os dias são bons para se lerem livros, e um dia em que não se trabalha é melhor ainda. Mas creio que tal declaração de intenções é para ser vista em sentido figurado: não trabalhamos, e o nosso trabalho é consultar livros.
Admito perfeitamente que haja profissões totalmente respeitáveis cujo trabalho consista somente em consultar livros, mas (se participassem nas atividades da semana da Ciência e Tecnologia, saberiam…) a de cientista (ou “trabalhador da ciência”, como eles dizem) não é uma delas. Chamem-lhe outra coisa por favor.

1 comentário :

  1. Uma declaração ridícula. Já vão longe, felizmente, os tempos em que a maioria dos cientistas portugueses eram teóricos. Hoje em dia a maioria dos cientistas em Portugal são experimentalistas, que não trabalham a maior parte do tempo com livros.

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