segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Do azeite e o atraso de Portugal

Ao mau funcionamento da Justiça e ao crónico baixo nível de educação dos portugueses (herança da outra senhora), eu costumo juntar a falta de qualidade do empreendedorismo nacional na minha lista de fatores pouco referidos na explicação do nosso atraso e baixo crescimento económico face ao resto da Europa.
Isto a propósito da inauguração há dias de um grande lagar de produção de azeite, que me recordou algo que a grande maioria dos portugueses deve desconher: Portugal não é auto-suficiente em termos de azeite. Que um país (quase) mediterrânico tenha que importar azeite é algo surpreendente. De 2004 a 2009 Portugal produziu 1,8% do total europeu, quando a Grécia, Espanha e Itália faziam 16,9%, 51,5% e 29,2%.
Poderia argumentar-se com maus terrenos ou mau clima do país, mas olha-se para lá da fronteira e vemos as mesmas condições. Talvez a burocracia ou outras questões legais, mas o enorme investimento de empresas espanholas no olival português nos últimos anos, prova o meu ponto. Portugal tem maus empresários.
Felizmente há uma nova geração e uma nova cultura a aparecer, e este novo lagar é prova disso.