segunda-feira, 30 de maio de 2011

George Tron e o direito de pernada

Um pequeno número de mulheres aproveitou os problemas americanos de DSK e avançou com queixas contra o ministro francês, que alegadamente as tentou violar, ou violou, não sei. Como DSK, Tron protestou que eram conspirações políticas, mas lá se foi demitindo.

O direito de pernada existe desde que os primeiros anfíbios rastejaram na terra e só foi abolido num pequeno número de países, durante mais ou menos 50 anos, entre o fim da Segunda Guerra mundial e os últimos dias das democracias ocidentais a que estamos a assistir.

Sempre existiu e vai ser reinstituído pelos oligarcas que mandam no mundo, nos media, nos governos e nos juízes.

O mundo em que vivemos é um mundo dos homens. Os ocidentais dizem mal do Islão, mas se os europeus se vissem ao espelho, ou os americanos - o puritanismo é uma forma de machismo autoritário - calavam-se muito caladinhos e não falavam nos direitos das mulheres.

Nos EUA as mulheres ganham cerca de 74% do que ganham os homens em iguais circunstâncias de competência e experiência. Na Europa não deve ser muito diferente. E na política ainda é pior. Volta e meia lá se elege uma mulher para um cargo importante, na política ou nas finanças, mas estamos muito longe de poder falar em igualdade.

George Tron fez o que fazem os homens poderosos em todo o mundo: abusou porque pode. Agora levou uma palmada na mão e teve de se demitir e ir trabalhar para um banco ou uma multinacional, com um salário exorbitante.

Como DSK. Embora este tenha sido apanhado a violar uma criada nos EUA, um país que tem uma relação absolutamente perversa e disfuncional com o sexo e o corpo, é rico e portanto não lhe vai acontecer nada. Queria uma borla. Vai ter de pagar desta vez, como o resto do pessoal. Mas já está absolvido. Como se sabe, os ricos estão acima da lei.