terça-feira, 5 de junho de 2012

Um ano depois

Um ano depois da mudança de ciclo político em Portugal, vale a pena recordar como tudo se passou. Por muito que se discordasse da via que estava a ser então seguida, é justo dizer que José Sócrates fez tudo praticamente até ao fim para que Portugal não pedisse auxílio ao FMI. O seu último erro foi não demitir Teixeira dos Santos imediatamente, assim que o ministro das finanças anunciou este pedido. Rendeu-se aos banqueiros. Quem exigiu o resgate financeiro foram os banqueiros, que tinham em Teixeira dos Santos o seu homem-de-mão. A fatura estamos nós a pagá-la, e vai pagá-la o PS por vários anos. O dia em que Sócrates pediu a Cavaco para o salvar da troika, por Cristina Ferreira

13 comentários :

  1. filipe, digo o mesmo há muito tempo; ainda bem que alguém aqui no blog finalmente concorda comigo :-) contudo, é também "justo dizer" que apenas chegámos à situação que descreves depois de toda a oposição ser ter unido no fatídico chumbo do PEC4.

    ResponderEliminar
  2. Ricardo Schiappa,

    Estás a ser injusto. Neste blogue Sócrates nunca foi acusado de «querer» a vinda do FMI ou da Troika.
    Foram feitas justas críticas e acusações a José Sócrates e ao seu Governo, e essa nunca foi uma delas, que me lembre.

    ResponderEliminar
  3. jv, o ponto não é bem esse. antes, que js foi o actor político que mais lutou contra a vinda do fmi/troika. e que outros actores minaram essa defesa do interesse nacional, de uma forma ou de outra. agora não há nada a fazer, a não ser lembrar para não repetir os mesmos erros...

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Eu não estou convencido de que a intervenção externa fosse evitável, fosse qual fosse a configuração do quadro partidário nacional. E creio que cometes o mesmo erro de perspectiva dos que culpam exclusivamente o Zé que era primeiro ministro pela intervenção externa, que é pressupor que o quadro nacional poderia evitar o que aconteceu.

      Achas realmente que se houvesse um «governo diferente» não teria havido troika? Eu cada vez estou mais convencido de que não, e se o Chipre ou a Espanha também caírem, ainda mais convencido ficarei que é bastante indiferente que governo temos enquanto a finança internacional fizer o que quer...

      Eliminar
    2. Aliás, de acordo com a tua perspectiva quem causou a intervenção da tróica foi... o Marco António! Sim, porque parece ter sido ele o responsável pela pirueta do PSD, que apoiou o orçamento para 2011 e depois lhe tirou o tapete no PEC 4. Fica para a «pequena história» das grandes tragédias.

      Eliminar
  4. ra, supondo que tens razão na inevitabilidade (o que não acho claro), ficas por responder à questão temporal: quanto perdemos, relativamente à espanha e ao chipre (casos que apontas)? achas que um ano e meio de políticas bem piores e bem mais difíceis de recuperar não é tremendamente significativo?

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. E quem te diz que conseguiríamos evitar a intervenção durante mais um ano, mesmo com o PEC 4? Sempre estivemos numa posição pior do que a Espanha.

      Eliminar
    2. peor? ó alves dos reys

      temos 200 mil apartamentos vazios em Castela a velha para vender

      e casas para Figos do norte comprarem a 14 milhões cada uma

      essas estão todas vendidas por cá...

      não temos a dívida espanhola

      mas também não temos a Bankia do Mário Conde
      nem o Allied Anglo-Irish Banka

      e a nossa bolha imobiliária desde 1999 cresceu bastante mas não explosivamente

      e é bolha ao estylo das mães de braganza

      viva pinóquio e seu pae geppetto que nos deu a cova da beira para afundar escudos e eurros

      e a estátua de pêro da covilhã predecessora dos bustos de milhão e meio do nosso Isaltino

      Imorais de PEC's IV in romanum ou grego fica mais fino

      Eliminar
  5. mais: achas que "cair" ao mesmo tempo que a espanha não seria uma histórica completamente diferente? como já disse em cima, o erro foi não continuar a "luta" contra a intervenção. e para chumbar o pec4 não bastou o psd...

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Mas foi o PSD que mudou de orientação em menos de 6 meses.

      Eliminar
    2. Como disse um aluno do CNO no Banko de Putogale empleado em Mayo de 2010....isto está por um fio
      cortaram-nos o crédito

      e eu que votei no sokras (ele/ela) eu cá nunca botei só em branco que sou racista

      mas admito pubicamente ter defendido as pseudo-reformas do sokrastistão durante 3 meses...ódespoys foy mais do mesmo

      por acaso era uma gaija e estava a fazer o 12º pra subir na carreira mas tante fax....


      reformar as mentalidades jámé...

      bossês precisavam do módulo 3 e do 4
      infelizmente as novas oportunidades andam no fim

      ê tinha um bom professor de geografia pra lhes explicar iste

      até a putes de 12 e de 88 consegue

      tenhe fé que bocês con seguiam

      tiraram curses em pacotes de farinha amparo foy?

      ou vieram em brinde com o Ajax?

      (o detergente não o grego...)
      Ilíadas de Ipad'es cíceros e iste dizem que foy bem gasto

      ou como disse a Iné nês hoije...ê sey lá pergunte-lhes a eles

      e bai isto páunibesidade.....

      Eliminar
    3. mas ela inda tem a desculpa de ter a infantilidade do jãobaskus e a capacidade de absorver novas ideias do Alvves dos reys

      pode ser que mude...ambora eu duvide

      Eliminar
  6. Ricardo Schiappa,

    Para chumbar o PECIV todos concorreram, até o próprio PS. Afinal, não existiu qualquer esforço por parte do PS, nem dos partidos à sua esquerda, para fazer compromissos, travar alianças.

    Podia ter acontecido que Sócrates tivesse tentado sem sucesso, como António Costa em Lisboa, tentativa que lhe foi reconhecida nas urnas, para castigo dos sectários. Mas Sócrates fez pouco esforço sequer para fingir tentar algum entendimento com os partidos à sua esquerda (nem estes para tentar entendimentos com o PS).

    Sucede-se que os partidos à esquerda do PS, como pelos vistos Sócrates, acreditavam que o PECIV era mau. Portanto, votar contra apresentando alternativas, como fizeram, é algo não só natural, mas decorrente do clima de inimizade que foi sendo criado nos dois anos anos anteriores por AMBAS AS PARTES.

    E claro que não ajuda que em certos aspectos fundamentais o PS tenha Governado objectivamente bastante à direita do PSD. Digo já dois: as PPPs, e as privatizações. Isto acontece porque o PSD teria medo de seguir essas políticas, tendo uma sólida oposição de esquerda (geralmente o PS é de esquerda quando está na oposição - parece que Seguro é a excepção...), mas o PS não faz oposição a si próprio, e portanto nalgumas coisas pode fazer aquilo que o PSD não faz.
    Ora o PECIV tinha muitas privatizações pelo caminho, verdadeiras vendas ao desbarato (o caso dos CTT), portanto o chumbo do PECIV por parte dos partidos de esquerda é muito fácil de entender. Na verdade, tratando-se o PECIV de políticas de direita (que o próprio Sócrates achava serem más para o país), é a recusa dos partidos de direita em votar favoravelmente que mostra como a ganância eleitoralista pode estar à frente do interesse nacional. Por isso é que a Direita, ao contrário da Esquerda, não apresentou qualquer proposta alternativa quando chumbou o PECIV.

    Portanto, ou cada um dos lados olha para o seu próprio sectarismo, ou vitórias da direita como a das últimas legislativas vão voltar a repetir-se. Sinceramente, creio que o PS devia alterar o seu discurso no sentido de compreender erros cometidos (nomeadamente no caso das PPPs e privatizações) e lutar contra o sectarismo. Se lutar a sério para travar alianças à sua esquerda, mas for recebido com três pedras na mão, pode ser recompensado pelos eleitores. Se permanecer no rumo actual, faria bem em olhar para o que aconteceu ao PASOK...

    ResponderEliminar

As mensagens puramente insultuosas, publicitárias, em calão ou que impeçam um debate construtivo poderão ser apagadas.