quinta-feira, 28 de junho de 2012

O debate sobre a circuncisão na Europa

A circuncisão é praticada por pessoas de duas comunidades religiosas originárias do Médio Oriente. Por ser dogma dessas duas religiões, aceita-se na Europa que cortar parte da pele do pénis das crianças do sexo masculino, sem razões médicas, não seja crime. Nunca compreendi porquê: a paternidade (ou a maternidade) não podem, em qualquer sociedade civilizada, dar o direito aos pais de cortar partes dos corpos dos filhos. E se se trata de um dogma religioso tão importante, que esperem que as crianças tenham idade para dar o seu consentimento informado (lá para os dezasseis anos, por exemplo).

Felizmente, o assunto começa a ser debatido. Na Alemanha, um Tribunal de Colónia deliberou que o direito de uma criança à sua integridade física era mais importante do que os direitos dos pais. Na Noruega, discute-se a proibição pura e simples, e na Holanda há um apelo nesse sentido de uma associação médica.

Evidentemente, não vão tardar os gritos de «islamofobia» e «anti-semitismo» daqueles que acham que a «religião» e a «cultura» têm direitos sobre os corpos de crianças que nem idade têm para compreender o que lhes estão a fazer.

[Esquerda Republicana/Diário Ateísta]

13 comentários :

  1. Mas, de um ponto de vista mais pragmático, as crianças sofrem com isso? Existem queixas consideráveis? Vamos legislar sobre o acto de furar as orelhas também?
    Eu acho que o argumento do respeito da integridade física tem lógica, mas julgo que tem que haver um problema a resolver. E para sermos justos então teríamos que legislar sobre a alimentação das crianças que tem péssimos e visíveis impactos na integridade física (saúde) das mesmas. Não concordas?

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    1. Existem queixosos. Por exemplo, estes:

      http://www.nocirc.org/

      http://boysdeservebetter.tumblr.com/

      http://www.thewholenetwork.org/

      Quanto ao argumento da alimentação das crianças: será legal administrar heroína a crianças? Honestamente, não tenho tempo para verificar se haverá legislação aplicável. Mas seria razão suficiente (e justíssima) para retirar crianças do cuidado dos pais. Quanto a gorduras e glicoses, não exageremos. E isto é válido para os pais também.

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  2. Presumo que o Ricardo Alves também defenda que os pais não possam mandar cortar o cabelo e as unhas dos rebentos dado que também são partes do corpo. Está contra porque é um "dogma religioso".

    O problema é que a OMS considera a circuncisão como um meio suplementar de prevenir e reduzir o risco de transmissão heterossexual do vírus da SIDA.

    http://www.publico.pt/Sociedade/oms-aprova-circuncisao-masculina-como-meio-adicional-de-prevenir-a-transmissao-do-virus-da-sida-1289634

    http://www.who.int/bulletin/volumes/86/9/08-051482.pdf

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    1. Que eu saiba, as crianças não têm, regra geral, relações sexuais consentidas. Muito menos relações de risco. Mas se os rapazes considerarem, aos dezasseis anos ou depois, que a circuncisão pode proteger de doenças venéreas melhor que um preservativo, o corpo é deles. Antes é que me parece uma decisão prematura.

      E note, caro António Parente, que se defende a circuncisão por razões médicas, então terá que a defender para toda a população masculina. Não apenas para os seguidores da religião A ou B.

      Quanto ao cabelo e às unhas, sempre pensei que crescessem depois de cortados. Está a dizer-me que, à semelhança do prepúcio, não voltam a crescer? Nunca dei conta disso...

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    2. nã têm adevias ter dito isso aos dois putos de 12 anos que pegaram clamídia a sete outros putos de sexos vários dos 11 aos 16...bom a de 16 teoricamente forçou o puto de 12 quainda era menor e tinha por all cunha o ciganito

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  3. e já agora a maioria das circuncisões por essa europa fora de mininos e outros putes é da comunidade africana

    os restantes são casos médicos

    praticados por médicos semitas
    o anti-semitismo é muito feyo alves dos reis

    na papua nova guiné e os selvagens da amazónia também o fazem

    dizem que a prática reduz o nº de infecções
    mas quem é que acredita em banqueiros judeus que querem conquistar o mundo
    e em profetas árabes que querem o mesmo

    já os outros mil milhões que o fazem
    são pretos pá...não evoluíram como voçês repubicanos e laicos

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  4. Caro Ricardo Alves

    O pénis também cresce e o prazer sexual não parece diminuir com o corte duma pequena parte da pele do pénis. Há preceitos religiosos que têm por base algum empirismo. Por exemplo: lavar as mãos antes de comermos. Não sei se o Ricardo Alves o faz ou se não o faz por ser um costume antigo dos fariseus, mas parece-me que mãos sujas e comida não combinam muito bem.

    A circuncisão masculina pode ter origem em alguns problemas que os antigos tenham observado (descritos hoje na literatura médica) e que os tenha levado a erigir em costume religioso. Hoje, com o avanço da medicina, já não se justificará em larga escala e deverá ser decidida caso a caso. Mas partir para uma proibição na lei só para dar corpo a preconceitos religiosos extremistas, não estou de acordo.

    Saudações republicanas,




    Saudações Republicanas

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    1. António Parente,
      podemos então concordar em que cada indivíduo decida cortar ou não quando tiver idade para tomar uma decisão dessas?

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  5. Ricardo Alves,

    Não, não concordo consigo. Em recém-nascidos, parece-me que existe consenso médico para que não seja efectuada, excepto em casos excepcionais. Durante a infância e puberdade os pais devem acompanhar o desenvolvimento físico dos filhos e alguns imponderáveis que surgem devem ter aconselhamento médico. Se deixa a decisão para quando surja a idade adulta levará a situações em que os filhos acusem os pais ou o Estado de omissão ou negligência na vigilância da sua saúde, devido aos preconceitos religiosos.

    Se quer chegar a acordo comigo, então aqui vai: ambos estamos de acordo na proibição da circuncisão genital feminina porque causa danos irreversíveis na vida sexual das mulheres e não evita problemas como a circuncisão masculina poderá evitar (há correntes médicas que discordam das vantagens da circuncisão masculina, acrescente-se). Se quer uma lei para a proibir, tem o meu apoio.

    Saudações republicanas,

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    1. Se bem compreendi, teria o seu apoio para a proibição da circuncisão efectuada a menores sem razão médica?

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  6. Compreendeu mal. Não teria o meu apoio porque tenho uma posição de princípio: não apoio leis que se baseiem em preconceitos anti-religiosos. Além disso, a informação científica que vejo publicada não considera que a circuncisão masculina cause danos à saúde dos circundados.

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  7. viva a res púbica púdica maçónica y laica como a cadela astronauta

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