sexta-feira, 8 de julho de 2011

«Todo o poder às agências de rating»?

A lógica do jogo político implica que aqueles que se apoiavam nas agências de notação agora as ataquem. Faz parte da política politiqueira. Mas é necessário olhar um pouco mais longe.

A questão de fundo é saber como se combate o poder das ditas agências. É positivo que os afectados pelas decisões comecem a revogar contratos. Como é positivo que o BCE faça o contrário do que elas recomendam. São pequenos passos, quase simbólicos, na direcção da recuperação da soberania democrática. Quanto a passos maiores, nas últimas horas tem-se formado um consenso europeísta pela criação de uma agência de notação europeia. O que não resolve nada: é atirar combustível para o fogo. A crise actual poderá ser uma batalha de uma guerra dólar-euro. Mas criar outra agência (igualmente inimputável?) é aceitar a lógica das democracias governadas pelos mercados. (E duvido, honestamente, que a UE ganhe qualquer tipo de guerra financeira com os EUA.) O que é necessário é limitar o poder dessas agências, e devolver o poder a responsáveis eleitos. Nesse sentido, a proposta que apoio é a de que as agências de notação deixem de avaliar Estados. Já brincaram demasiado connosco e com as nossas vidas. Democracia é o governo pelo povo, não é o povo no lixo.