sexta-feira, 29 de julho de 2011

Como assanhar fanáticos II

O Ricardo Alves tem razão ao interpelar nesta entrada o Blasfémias sobre os atentados na Noruega. Relembremos que no Blasfémias também se fez futurismo à moda de Breivik nesta entrada, por exemplo, onde se representa o seguinte mapa:




Estou com um dilema futurista. Será que vamos ser todos pulverizados já para o ano pela Maldição Maia de 2012 ou seremos invadidos pelos mouros em 2015?
A memória é muito curta e esquece-se que há 100 anos, as "vítimas" deste mapa da treta de 2015 eram os "invasores" deste mapa que ainda não passou completamente à história:

4 comentários :

  1. Há aqui algum argumento ou trata-se apenas de demagogia piegas? Repare bem que o mapa 1 é uma caricatura do futuro. O futuro interessa-nos e é para ele que devemos pensar. O passado interessa-nos pouco; interessa-nos-á algo se dele podermos extrair informação para melhor modelar o futuro; e interessar-nos-á absolutamente nada se do passado recolhemos apenas uma justificação universal para justeza conformista da miséria presente.

    A imigração em si mesma não é um problema. Mas a imigração traz-nos desafios com os quais temos de saber lidar com justiça, caso contrário ficamos com problemas. Acho que a grande maioria das pessoas que defende entraves à imigração pertence a este grupo e não ao outro grupo, no qual certos demagagos piegas gostam de os encaixotar.

    Cá em Portugal, por outro lado, acho que mais urgente do que controlar os movimentos exógenos, é o controlo do endógeno. Ou seja, estou estatisticamente convencido de que os bloqueios à prosperidade, ao bem-estar, à harmonia e à justiça são na sua maioria perpetrados por cidadãos portugueses. Cidadãos esses que deviam ser saneados.


    Voltando ao início. É indefensável que eu seja responsável pelas acções dos meus antepassados. É indefensával por dois motivos técnicos:

    a) é infinitamente difícil construir uma genealogia que nos leve do presente aos primórdios da vida humana (seja, homo sapiens);
    b) mesmo que a) fosse possível, a probabilidade de que a implementação desse tipo de responsabilização como critério para decisões acerca do futuro resultasse num 'greater good' é infinitamente pequena;

    e um motivo de insuficiência:

    c) mesmo que eu tenha determinado o caderno de responsabilizações de cada indivíduo, como estabeleço o que fazer com ele?

    Repare que b) e c) continuam a ser obstáculos mesmo que se decida limitar a distância de responsabilização para um número de gerações passadas pequeno.

    Se for um individualista, então é trivialmente e peremptoriamente indefensável.

    Agora um argumento mais limpinho para a indefensabilidade. Repare lá que o vector causal é: passado -> futuro. Se não posso influenciar o futuro, não devo ser responsável por ele. Exacto, "só devo ser responsável por aquilo que posso controlar" é um axioma indisputável.

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  2. Estive a rever o meu comentário e quero corrigir a gralha no último parágrafo (as gralhas ortográficas não serão tão relevantes):

    "(...) Se não posso influenciar o futuro, não devo ser responsável por ele. (...)"

    para

    "(...) Se não posso influenciar o passado, não devo ser responsável por ele. (...)"

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  3. ao menos Portugal safa-se

    os muçulmanos ficam só com o Martim Moniz?

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  4. Depois disto só posso dizer, long live England.

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