sexta-feira, 8 de julho de 2011

Adivinhem qual é o comboio português

A adivinha não é muito difícil, pois não? É este o modelo de comboio que faz a linha do Oeste, a atravessar cidades como Torres Vedras, Caldas da Rainha e Leiria, entre as quais muitas pessoas se deslocam regularmente todos os dias (não estamos a falar do interior desertificado). É também este tipo de comboio que faz a ligação Porto-Vigo, encurtada a partir da semana que vem só até Valença. É um comboio antigo, que demora mais do dobro do tempo de um carro ou um comboio mais moderno (não precisa de ser TGV). O facto de ainda haver comboios destes a circular em Portugal resulta de décadas de desinvestimento na ferrovia e de um novo riquismo e centralismo (só a pensar nas grandes cidades) que prefere TGVs quando nem sequer há um intercidades decente (os casos Lisboa-Leiria e Porto-Galiza são flagrantes). Apesar de tudo isto, será que não haver nada é melhor do que haver estes comboios? Com certeza que não. O encerramento da ligação a Vigo (e outras que estão anunciadas) é um péssimo sinal e mais uma machadada no transporte ferroviário em Portugal. No caso da ligação a Vigo, bastava que seguisse para Espanha um revisor português (e não um espanhol, da Renfe, que nunca aparece - a ligação Tui-Vigo é feita quase sempre sem revisor). Como ainda por cima é esse revisor que vende os bilhetes (só em Campanhã é que se podem comprar bilhetes até Vigo!), não admira que a CP se queixe de não haver passageiros nesse troço que justifiquem a manutenção da ligação!

PS - Parece que finalmente as notícias são boas.