sexta-feira, 17 de setembro de 2010

A liberdade de circulação não é para todos

A Europa rica estava, há duas décadas, madura para o regresso da xenofobia. A «liberdade de circulação» propagandeada pelos eurocratas sempre foi pensada para os estudantes universitários, os investigadores, os reformados de classe média, os quadros das grandes empresas e os burocratas de Bruxelas. Só existe para o lumpen-proletariado se aceitarem ser pagos no país de destino abaixo do que se paga aos trabalhadores locais, dormir em contentores, comer e calar. Nunca foi pensada para os eternos nómadas de remota origem indiana a que chamamos «ciganos».

As «expulsões voluntárias» de Sarkozy foram um passo decisivo na «lepenização» da França. Outros se seguirão: a extrema-direita no governo em Itália quer ir ainda mais longe, para as expulsões coercivas de «cidadãos da UE». A semente está lançada, e é má.

Pouco podemos esperar dos políticos no poder. Sócrates nem percebe o que se passa (ou não lhe interessa), e da privada berraria entre Sarkozy e Barroso saiu uma condenação da única comissária que se opôs publicamente às expulsões, e uma investigação que dará em nada.

Num contexto de agravamento da crise económica, a Fortaleza Europa fecha as portas. Vão ficar muitos de fora.