domingo, 19 de setembro de 2010

Liberais-Democratas britânicos mostram as suas garras conservadoras

Danny Alexander, o imberbe liberal-democrata que hoje ocupa uma das posições mais poderosas no Tesouro britânico, revelou mais, do que se calhar devia, sobre a reviravolta ideológica sofrida pelo seu partido. Numa historiazinha que contou aos jornalistas do "Guardian" durante uma longa entrevista, Alexander disse que a primeira coisa que fez quando chegou ao seu gabinete de ministro foi mudar um dos retratos que o decorava. O retrato do economista liberal John Maynard Keynes (que ajudou a criar as políticas económicas seguidas por sociais-democratas europeus até aos anos 80) foi substituído pelo do ex-primeiro-ministro liberal, William Ewart Gladstone.
A mudança de retratos é significativa. Entre o início do século XX até ao acordo de governo de coligação de Maio passado, a tradição mais forte do Partido Liberal-Democrata foi a social-liberal (também conhecida como Novo Liberalismo) e inspirou medidas tão importantes como o sistema de apoio estatal aos desempregados, a criação do Estado-Providência e a defesa da economia mista. Keynes, assim como Beveridge, e antes deles Hobhouse, Hobson e (de certa forma) J.S. Mill eram as luzes intelectuais desta tradição.
Em contrapartida, a tradição que o "austero e inflexível " (segundo as palavras de Alexander) Gladstone representa (e é importante referir que este eminente líder liberal começou a sua carreira política no Partido Conservador) o liberalismo do ataque ao Estado que a Sra. Thatcher tanto admirava.
Esta mudanca radical de compasso ideológico vai custar cara ao partido. Mas por agora tanto Alexander como o líder Nick Clegg parecem estar a gostar de brincar "aos governos" mascarados de "He-Man" .

1 comentário :

  1. Eu não chamaria "conservador" ao "liberalismo de ataque ao Estado", como a Eunice faz no título deste post.

    Atacar o Estado-providência ou o Estado social não é conservadorismo.

    De resto, no grupo liberal europeu convivem partidos liberais mais de esquerda (como o eram os Liberais Democratas britânicos) com outros mais de direita. Nalguns países, como a Holanda por exemplo, até coexistem com sucesso dois partidos liberais, um de esquerda e outro de direita.

    Mas liberais de direita não são conservadores.

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